SÓCIO TORCEDOR

Aprender a ganhar

Aprender a ganhar
Robson Morelli, O Estado de S.Paulo 22 de abril de 2019 | 04h30 No futebol e na vida é preciso aprender a ganhar. O Corinthians é um time que sabe bem o que isso significa. Desde 2012, quando festejou a Libertadores e o Mundial da Fifa, seu segundo na história, o Corinthians mudou sua cara…

No futebol e na vida é preciso aprender a ganhar. O Corinthians é um time que sabe bem o que isso significa. Desde 2012, quando festejou a Libertadores e o Mundial da Fifa, seu segundo na história, o Corinthians mudou sua cara de time sofredor para a de uma equipe que sempre ergue taças.

De lá para cá, somente em 2014 e 2016, não festejou nada. Então, é preciso tirar o chapéu para essa bandeira, tricampeã paulista (2017, 2018 e 2019). São 30 Estaduais na história da competição. Não é pouco. Fico com a frase de Fábio Carille após a conquista em Itaquera. “Alguma coisa a gente fez de certo para ganhar o torneio”. O treinador corintiano tem razão. O Corinthians, com todos os seus problemas de campo, foi melhor do que todos os seus adversários nesses quatro meses de disputa regional. Não sobrou diante dos oponentes. Teve dificuldades. Perdeu, ganhou, viveu jejum de gols, recuperou jogadores, como Clayson e Love, foi cobrado pela torcida, enfrentou momentos de desconfiança… Mesmo assim, ficou com a taça. Mesmo assim, foi melhor do que todos os outros rivais da competição.

O Corinthians campeão do Paulistão 2019 tem também seus méritos. A volta de Carille nesta temporada depois de passar um tempo curto fora do Brasil foi uma decisão acertada da diretoria. Ele substituiu técnicos que não deram certo e só fizeram o time andar para trás. A partir da sua chegada, alguns jogadores passaram a render bem mais. Clayson foi um deles. Estava com um pé no mercado e foi recuperado. Love, autor do gol da conquista, teve o tempo que precisou para se colocar em forma. Carille insistiu com a dupla Manoel e Henrique na defesa e ela deu conta do recado. Avelar, vaiado em seu trabalho de marcação na lateral, passou a “jogar” na área adversária e a fazer seus golzinhos. Todos importantes. Um deles nesta final em casa.

Algumas contratações também fizeram este Corinthians mais forte, como a de Sornoza. Foi dele o lançamento para o gol de Love no finalzinho do segundo tempo. Gosto de Ramiro. Gosto de Ralf. Gustavo fez gols no começo do torneio e depois perdeu o faro, mas foi sempre um atacante de quem a torcida esperou bastante. Meu registro especial vai para os torcedores corintianos, que quebraram neste domingo o recorde da arena, com 46.481 pagantes – o maior público do estádio em partidas da equipe, com R$ 5 milhões de renda.

A festa é merecida e a conquista deve ser respeitada, não há dúvidas. Ocorre que o futebol do campeão estadual esteve muito abaixo se comparado ao de outras edições do torneio, de outras temporadas também. Esse problema, diga-se, não é só do Corinthians. É um problema generalizado do futebol brasileiro neste momento. O Paulista não pode enganar os corintianos nem os que torcem nem os que trabalham no clube, tampouco jogadores e Carille. É preciso melhorar muito para continuar amealhando taças, superando seus rivais e se colocando melhor do que os outros concorrentes.

Nesta semana, começa o Brasileirão, um torneio de 38 rodadas e 380 partidas, extremamente desgastantes ao longo de sua corrida. Carille precisará de elenco, os jogadores campeões estaduais vão enfrentar adversários mais duros e melhores jogo após jogo. Então, que esse Paulista merecido não engane ninguém do time campeão, ou tricampeão.

Ao São Paulo, o aprendizado para essa garotada, a volta de Cuca, a contratação de alguns bons jogadores e a esperança de tempos melhores. O time continua sem ganhar Estadual desde 2005. Teve uma recuperação boa na competição, eliminou o Palmeiras, recuperou sua confiança, mas não teve forças para tirar a taça de seu maior rival. Independentemente do fracasso, não há dúvidas de que será outro time no Campeonato Nacional e na Copa do Brasil.

Fonte

Redação SP

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