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Caso Borba Gato: Motorista do caminhão que levou pneus para incêndio é preso

Caso Borba Gato: Motorista do caminhão que levou pneus para incêndio é preso
Investigadores do 11° Distrito Policial de São Paulo identificaram e prenderam o motorista do caminhão que levou os pneus até a Praça Augusto Tortorelo de Araújo, na tarde de sábado (24), em Santo Amaro, para que um grupo de manifestantes ateasse fogo na estátua do bandeirante Borba Gato. O veículo que transportou o material até…

Investigadores do 11° Distrito Policial de São Paulo identificaram e prenderam o motorista do caminhão que levou os pneus até a Praça Augusto Tortorelo de Araújo, na tarde de sábado (24), em Santo Amaro, para que um grupo de manifestantes ateasse fogo na estátua do bandeirante Borba Gato.

O veículo que transportou o material até o local do protesto também foi localizado. Ele estava estacionado numa rua de Ferraz de Vasconcelos, município da Região Metropolitana de São Paulo, com as placas de identificação adulteradas.

Na manhã deste domingo (25) imagens dos momentos que antecederam as chamas começaram a circular pelas redes. Nela é possível ver um grupo bem numeroso de pessoas vestidas de roupa preta, retirando pneus de dentro de um pequeno caminhão branco. Na sequência, os manifestantes depositam o material ao redor e em cima do monumento polêmico e o fogo começa.

Fogo no Borba Gato

Um grupo composto por cerca de 20 manifestantes incendiou a estátua de Borba Gato que fica em Santo Amaro, Zona Sul de São Paulo (SP), na tarde de sábado (24). O monumento, obra de Júlio Guerra inaugurada em 1963, já foi alvo de outros protestos no passado, como um banho de tinta em 2016.

O motivo é o fato de a estátua representar uma homenagem àquele que foi um bandeirante do século 18 que perseguia, assassinava e estuprava indígenas. Enquanto a estátua ardia em chamas, os manifestantes aplaudiam.

Estátua polêmica

A estátua em homenagem ao bandeirante Borba Gato, com mais de dez metros de altura, foi colocada na avenida do distrito de Santo Amaro em 1963. Obra do artista Júlio Guerra, o monumento vem despertando a fúria de parte da sociedade de alguns anos para cá por conta do papel dessas figuras históricas (os bandeirantes) nos genocídios cometidos contra os povos originários e os negros escravizados durante o período do Brasil Colônia (1500-1815).

Protestos parecidos têm ocorrido nas Américas, especialmente contra monumentos e estátuas que homenageiam colonizadores, figuras escravagistas e autoridades da época responsáveis por assassinatos em massa contra populações indígenas.

No Brasil, sobretudo em São Paulo, onde o imaginário popular e movimentos artísticos do início do século XX elevaram os bandeirantes ao status de heróis da ancestralidade local, a discussão sobre esse tipo de homenagem vem se estendendo há anos.

Cidades, rodovias, bairros, ruas, escolas, avenidas e praças são batizados com os nomes de figuras que foram responsáveis, nos segundo e terceiro séculos de colonização, por sanguinárias matanças contra etnias não brancas que estavam no Brasil, ainda sob domínio da Coroa Portuguesa.

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