CARLOS AUGUSTO

Com clarão acima do comum, meteoro “fireball” cruza os céus de SP, MG e RJ

Com clarão acima do comum, meteoro “fireball” cruza os céus de SP, MG e RJ
Um meteoro cruzou os céus do Sudeste brasileiro na madrugada de domingo (21). O seu rastro explosivo foi visto em diversas localidades de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Ele foi classificado como um "fireball" (bola de fogo), que é muito luminoso, deixa um rastro e gera um clarão mais brilhante do que…

Um meteoro cruzou os céus do Sudeste brasileiro na madrugada de domingo (21). O seu rastro explosivo foi visto em diversas localidades de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Ele foi classificado como um “fireball” (bola de fogo), que é muito luminoso, deixa um rastro e gera um clarão mais brilhante do que o planeta Vênus.

O evento foi registrado por pelo menos 14 câmeras de monitoramento, do Clima ao Vivo e da Bramon (Brazilian Meteor Observatory), nas cidades: Belo Horizonte (MG), Itajubá (MG), Itapecerica (MG), Oliveira (MG), Pouso Alegre (MG), Taubaté (SP), Morro Agudo (SP), Guarujá (SP)., Sorocaba (SP) e São Paulo (SP).

“Foi um meteoro bem interessante”, afirma Marcelo Zurita, diretor técnico da Bramon. “Ele ocorreu entre Minas, São Paulo e Rio de Janeiro. O que mais chamou atenção foi sua lentidão aparente”.

Pelas observações, a luminosidade e o rastro de um meteoro “fireball” são resultados de fragmentos maiores de rochas, com até alguns centímetros, que se espalham ao entrar na atmosfera terrestre, mas são inofensivos.

De acordo com os cálculos da Bramon, a rocha espacial surgiu a 70,3 km de altitude, a oeste do município de Itanhandu (MG). Seguiu na direção sudeste, a uma velocidade média de 49,9 mil km/h, cruzando o leste do Estado de São Paulo, até desaparecer a cerca de 34,4 km de altitude sobre a baía da Ilha Grande, no litoral do Rio de Janeiro.

“Seu clarão durou 8,33 segundos, o que é relativamente demorado para um meteoro, que normalmente não dura mais de 1 segundo”, explica Zurita.

Perspectiva da trajetória do Meteoro que cruzou os céus de SP, MG e RJ

Imagem: Bramon

Dois motivos explicam a “lentidão”: a massa do objeto, maior, que o fez resistir e queimar por mais tempo; e o ângulo agudo de entrada em nossa atmosfera, de cerca de 18°, que significou um tempo maior até atingir as camadas atmosféricas mais baixas e densas.

Os objetos espaciais, como asteroides, meteoroides e cometas, se movem em velocidades altíssimas, que podem ultrapassar 250 mil quilômetros por hora, em órbitas mais ou menos definidas ao redor do Sol. Quando atingem a Terra, nossa atmosfera funciona como um escudo protetor.

“O impacto com a atmosfera nessa velocidade aquece e ioniza os gases ao redor do meteoroide, formando uma bolha de plasma e iniciando um processo conhecido como ‘ablação atmosférica’. Isso atinge alguns milhares de graus, o que rapidamente vaporiza as camadas mais externas e, na maioria das vezes, acaba consumindo toda a rocha espacial”, conta o diretor.

Até fragmentos tão pequenos quanto um grão de areia são capazes de gerar o fenômeno luminoso chamado de meteoro — a popular “estrela cadente”.

Mesmo quando o corpo é grande o suficiente para resistir ao processo de ablação, a resistência atmosférica reduz dramaticamente sua velocidade e o seu tamanho. Se atingem o solo, já estão com velocidade e massa bem menores — por isso, muito raramente causam danos a estruturas ou ferem pessoas.

Ao cair no solo, os fragmentos de rochas passam a ser chamados de meteoritos.

Se você testemunhou este ou outro meteoro, ou tiver alguma informação sobre meteoritos encontrados, faça seu relato no site da Bramon ou da Exoss, para contribuir com o estudo do caso e com a pesquisa brasileira.

Pelo site do Clima ao Vivo, é possível acompanhar, em tempo real, as imagens de mais de 150 câmeras de monitoramento dos céus por todo o Brasil.

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