MORUMBI

Com reprise de 77 na TV, torcedor do Corinthians que esteve no Morumbi relembra título: ‘Divisor de águas’

A TV Gazeta, neste domingo, às 21h, vai reprisar a final do Campeonato Paulista de 1977, em que o Corinthians saiu da fila ao bater a Ponte Preta. Muitos torcedores do clube terão a oportunidade de ver as imagens pela primeira vez, já outros irão reviver os grandes momentos que passaram naquele dia. Um deles…

A TV Gazeta, neste domingo, às 21h, vai reprisar a final do Campeonato Paulista de 1977, em que o Corinthians saiu da fila ao bater a Ponte Preta. Muitos torcedores do clube terão a oportunidade de ver as imagens pela primeira vez, já outros irão reviver os grandes momentos que passaram naquele dia. Um deles é David Najar, corintiano fanático de 60 anos, que estava no Morumbi e pela primeira vez pôde acompanhar seu time levantar uma taça.

David Najar posa com Basílio, 40 anos depois da conquista do estadual de 1977 (Foto: Arquivo Pessoal)

Foto: Lance!

– O Campeonato Paulista de 1977 é o maior título da história do Corinthians, maior do que o Mundial, porque foi para sair daquilo, que não ganhava nada. Na verdade foi o meu primeiro título, o primeiro que eu vi, e dali que iniciou a arrancada. Foi o divisor de águas. No meu modo de entender e no de muitos corintianos, é um marco – declarou em entrevista ao LANCE!.

No papo com a reportagem, David contou um pouco das sensações que aquela decisão trouxe para o torcedor do Timão, que há quase 23 anos não sabia o que era gritar “é campeão”. Mais de duas décadas sofrendo com gozações dos rivais e colecionando fracassos, como na final do Campeonato Paulista de 1974, quando foi derrotado pelo Palmeiras, por 1 a 0.

– Um sentimento que a gente nem consegue descrever, eu era menino, tinha 17 anos, criado em uma família com meus irmãos e meu pai corintianos e na família da minha mãe a grande maioria era toda palmeirense e a gente era chamado de sofredor desde pequenininho. A sensação era muito diferente, era estranha. Em 1974, eu tinha 14 anos e fui ver a final contra o Palmeiras, no Morumbi, e a gente estava até ressabiado, foi um desgosto muito grande naquele ano, mas 1977 o ambiente da cidade de São Paulo, o sentimento do corintiano, no Brasil inteiro, a impressão era de que todos estavam torcendo para o Corinthians ser campeão – relembrou.O Corinthians não era um dos melhores times do campeonato, mas como sempre em sua história, construiu uma trajetória de superação e raça nas três fases da competição para alcançar a decisão. Fatores que deixavam os torcedores um pouco temerosos, mas não desconfiados

– A cidade estava em festa, mas ficamos com aquela pulguinha atrás da orelha, porque o time não era tão bom quanto a Ponte Preta, que já tinha goleado o Corinthians durante o campeonato (4 a 0, em Campinas), ou seja, chegou na decisão aos trancos e barrancos. Eu fui nos últimos três jogos antes da fase final, contra Portuguesa, Botafogo-SP e São Paulo. Precisava ganhar os três jogos e ganhou na raça, um sofrimento do caramba – disse antes de completar:

– Antes do jogo teve o nervosismo, a desconfiança, mas muito pouca desconfiança, porque na verdade corintiano não desconfia do time, se não é assim, não é corintiano. Foi um dia na expectativa de ser campeão. Naquele ano não tinha como escapar, era só esperar o momento.

Além dos três últimos jogos da fase anterior, David foi nas duas primeiras partidas da decisão do estadual, quando o Corinthians ganhou o primeiro por 1 a 0 e perdeu o segundo por 2 a 1, quando houve o recorde de público no Morumbi, com quase 150 mil torcedores. O duelo final acabou ficando para o terceiro encontro, no dia 13 de outubro, inesquecível para o fanático corintiano.

– Eu saí de casa com os meus amigos no final da tarde para ir ao Morumbi, eu tinha um Fiat 147 azul calcinha e o estádio era muito longe, porque a gente morava no bairro do Belém. Você assistia em um lugar que no metro quadrado cabiam cinco ou seis pessoas. Eu estava com amigos, até um palmeirense, ele foi de moto, junto com outro palmeirense, com a bandeira do Corinthians.

No jogo, mais sofrimento, o 0 a 0 no placar refletia o duelo pegado entre os times, que sabiam que quem vencesse sairia do Morumbi como campeão. E o gol de Basílio, aos 36 minutos do segundo tempo, não poderia ser de outra forma senão de forma chorada, até provocar o grito das arquibancadas, que comemorou o gol do título, algo esperado há 23 anos.

– A bola não entrava. Eu não esqueço, estava no anel superior, olhando para o lado esquerdo, ângulo da transmissão da TV, de pé, lá em cima e foi uma loucura. Batia em um, batia na trave… Quando saiu o gol, nossa… A gente abraça gente que você nunca viu e nunca mais vai ver na sua vida.

Para David, o gol do título ter sido marcado por Basílio foi o mais perfeito dos desfechos, por tudo o que o camisa 8 representa para o clube, além de ser um jogador de extremo carisma. O corintiano até comparou com o gol do título mundial de 2012, que foi de Guerrero, mas que poderia ter sido de Danilo, que simboliza algo muito parecido com o herói da conquista de 1977.

– O Basílio eternizou, ele sempre foi uma grande pessoa, um bom jogador, humilde, o Basílio que é hoje é o mesmo de sempre, carisma, simpático e entrou para a história. O gol caiu na pessoa certa, era o cara para fazer o gol. Também tinha o Wladimir, o Zé Maria, mas para mim, o Basílio não poderia ser melhor. Em 2012, no Mundial, quem deveria ter feito o gol, sem tirar o mérito do Guerrero, era o Danilo, pelo que ele fez pelo clube, pelo que representava e pelo caráter, como o Basílio – analisou.

Por fim, a comemoração tão esperada fora do estádio, que teve como palco, entre outros lugares, a tradicional Avenida Paulista. No mesmo dia, ao voltar dos festejos já de madrugada, David viveu uma história curiosa, quando “perdeu” o seu irmão menor e foi encontrá-lo em uma praça

– O meu irmão menor tinha 9 anos na época e minha mãe não deixou ele ir, ficou em casa. Meu outro irmão foi para o jogo, meu pai foi para o jogo, cada um indo com a sua turma. Nós saímos para comemorar pela cidade, depois voltamos para casa e cadê o meu irmão? Passou um caminhão com torcedores, aquela bagunça, ele subiu na caçamba e foram embora para a Praça Silvio Romero, eram duas ou três horas da manhã, aí eu e um amigo saímos para procurar e só fomos encontrá-lo na praça – concluiu.

A TV Gazeta transmite, neste domingo, às 21h, um compacto de 40 minutos com os melhores momentos da decisão. A exibição que estará na mesma faixa de horário do programa “Mesa Redonda”, receberá convidados especiais como Basílio, Wladimir e Zé Maria para relembrar os momentos daquele dia.

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