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‘Copa é Copa’: Publicitárias criam campanha de apoio à seleção feminina

‘Copa é Copa’: Publicitárias criam campanha de apoio à seleção feminina
Grupo de São Paulo pintou rua atrás do hotel da seleção masculina e cria perfil 'Copa é Copa' para divulgar Copa do Mundo que acontece na França Bruno Marinho 12/06/2019 - 17:32 / Atualizado em 12/06/2019 - 20:34 Mulheres que se conhecem há um mês estreitaram os laços com campanha pela seleção feminina Foto: Bruno…

Grupo de São Paulo pintou rua atrás do hotel da seleção masculina e cria perfil ‘Copa é Copa’ para divulgar Copa do Mundo que acontece na França

Bruno Marinho

12/06/2019 – 17:32
/ Atualizado em 12/06/2019 – 20:34

Mulheres que se conhecem há um mês estreitaram os laços com campanha pela seleção feminina Foto: Bruno Marinho

Foi na mesa de um bar, três semanas atrás, depois do expediente na mesma agência em que trabalham, que 11 publicitárias de São Paulo se viram reunidas em torno do desejo de promover o apoio à seleção de Marta e cia, que na quinta-feira disputará o segundo jogo pelo Mundial, contra a Austrália, às 13h (de Brasília), em Montpellier, com transmissão da Rede Globo. No dia seguinte, curada a ressaca, tocaram o plano adiante. O primeiro questionamento foi: por que as ruas não estão pintadas como na Copa dos homens?

– Queríamos fazer algo voltado para as mulheres e percebemos como não existe mobilização para a Copa feminina. Os bares não fazem promoções, ninguém libera do expediente, essa rua que pintamos está sempre decorada na Copa masculina, mas não tinha nada até pintarmos. Pensamos que talvez não tenha nada porque ninguém começou. Então resolvemos começar – afirmou Luana Grybosi, 29 anos.

Nas redes sociais, elas emplacam a arroba “copaecopa” no Twitter e “copaecopa19” no Instagram, e trabalham para contagiar mais gente ao redor da Copa do Mundo Feminina. Tudo por iniciativa própria, sem incentivos, afirmam. Antes do primeiro jogo, em que o Brasil venceu a Jamaica por 3 a 0, pintaram a rua em duas tardes de folga e bateram na porta de bares atrás daqueles que poderiam abrir mais cedo para exibir a partida de estreia. Agora, preparam um manifesto em formato de vídeo que será disparado antes do jogo contra a Austrália.

– Vamos também espalhar cartazes em alguns bairros da cidade, locais onde sabemos que eles não serão retirados. Queremos também colar adesivos em ônibus. A gente está fazendo isso não apenas para estourar lá fora, mas para mexer também com a nossa bolha, nossos familiares, nossos amigos, as pessoas no trabalho. Queremos incentivá-los a ver os jogos – afirmou Gabriela Melo, de 22 anos.

As 11, um time de futebol inteiro, contam que o simples ato de pintar a rua para apoiar a seleção feminina que disputa a Copa do Mundo na França foi pretexto para cantadas dos motoristas e pedestres que passavam pelo cruzamento da Caravelas com a Joinville, no bairro de Vila Mariana, em São Paulo. Sem saberem, fizeram isso na rua bem atrás do hotel onde a seleção masculina está hospedada para a Copa América. Como se precisasse de comprovação, o assédio delas de cada dia interrompeu mais de uma vez a reportagem na tentativa de fotografar o grupo. Apesar do contratempo, segue o jogo e a campanha.

Da esquerda para a direita, em pé: Gabriela Bento de Paula, Camila Mezeti, Gabriela Melo, Laura Vieira, Bruna Carolina Pedra e Bruna Zibelini; abaixadas: Bruna Garcia, Iris Bernadelli, Flávia Schmidt, Luana Grybosi e Larissa Rocha Foto: Bruno Marinhom

A receptividade das primeiras ações incentiva o grupo a seguir com a iniciativa. Só de começarem o movimento, passaram a conhecer melhor a equipe treinada por Vadão e a se encantar pela história de algumas jogadoras do grupo. Se a seleção feminina for longe no Mundial, acreditam que a torcida abraçará a equipe, mas o ideal seria que o apoio viesse independentemente dos resultados, como acontece com a masculina. Enquanto isso não ocorre, vale saborear as pequenas vitórias diárias, como a permissão do RH da agência para decorar o espaço com as cores da seleção, como aconteceu ano passado, na campanha dos homens na Rússia. Faltou a liberação do expediente para assistir aos jogos, o que pode mudar se a seleção brasileira chegar à final.

– A Copa do Mundo é para todo mundo. O futebol é um esporte único. A gente está tentando cutucar para além da publicidade, somos desse meio, mas temos essa iniciativa para todo mundo. Queríamos que outras pessoas pintassem as ruas também – afirmou Flávia Schmidt, de 23 anos.

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