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Da coragem ao obsoleto

Intervalo de jogo no Morumbi, o Santos derrotava o São Paulo por 1 a 0, gol assinalado na primeira finalização do time santista, que arrematara um par de vezes nos primeiros 45 minutos contra 11 do mandante. Os tricolores eram, mais uma vez, castigados pela inoperância ofensiva, uma equipe que cria situações de perigo para…

Intervalo de jogo no Morumbi, o Santos derrotava o São Paulo por 1 a 0, gol assinalado na primeira finalização do time santista, que arrematara um par de vezes nos primeiros 45 minutos contra 11 do mandante. Os tricolores eram, mais uma vez, castigados pela inoperância ofensiva, uma equipe que cria situações de perigo para o adversário, mas desperdiça chances em quantidades industriais.

Quando os times voltaram ao gramado do Morumbi sem público, os santistas tinham 10 homens – Jobson foi expulso no finalzinho da primeira etapa. Já os são-paulinos não contavam mais com um dos zagueiros, Bruno Alves, substituído por um atacante, Pablo, que em 22 minutos fez os dois gols da virada.

Fernando Diniz já havia feito algo semelhante na derrota para o Santo André, quando Anderson Martins deu lugar a Éverton. O time atacou mais, contudo, perdeu.

Em comum a coragem do treinador para fazer algo inimaginável sob a batuta de outros técnicos brasileiros. Diniz acerta e erra, é evidente, como todos está sujeito a equívocos, mas foge do padrão por não ter medo de arriscar. No ano passado, ainda no Fluminense, tirou os dois zagueiros para buscar a reação e o empate com o Cruzeiro, mesmo atuando fora de casa.

No clássico do sábado, além de ampliar o volume de jogo, encher a área santista de jogadores e criar ainda mais oportunidades, o São Paulo praticamente não concedeu chances ao Santos na etapa complementar. A única foi de Carlos Sánchez, mas o uruguaio não conseguiu dominar a bola dentro da área tricolor. Hoje, entre os quatro times grandes de São Paulo, o de Diniz é o que melhor joga.

A situação seria outra, não fossem os incríveis gols perdidos, problema que persiste desde o começo do ano passado, e já existia com seus antecessores, André Jardine, Vagner Mancini e Cuca. Desde 2019 os tricolores têm um dos piores ataques entre os times da primeira divisão nacional. Na Série A passada, apenas os sete últimos colocados apresentaram ataques inferiores.

Fernando Diniz faz seu melhor trabalho, tendo nas mãos o elenco mais qualificado já dado a ele. Fosse um medalhão da velha-guarda tirando um zagueiro para colocar um atacante e virar o jogo, não faltariam amigos na mídia a exaltar o arrojo do “professor”. A má vontade de alguns com o atual técnico do São Paulo é inversa à tolerância com profissionais marcados pela obsolescência, que vivem do passado.

Falando nisso, o Footstats mostra que o Palmeiras acertou apenas 49 dos 279 cruzamentos que tentou em 2020. É o pior índice de acertos em tal fundamento (17,5%) entre todos os times que disputarão a Série A do Brasileirão. Momentos antes de rolar a pelota para São Paulo 2 x 1 Santos, o elenco mais caro do Estado empatava melancolicamente com a Internacional, em Limeira: 0 a 0.

E a exemplo dos tricolores, os palmeirenses jogaram muito tempo com 11 contra 10, já que o time do interior teve Aírton expulso aos sete minutos do segundo tempo.

A insistência de Vanderlei Luxemburgo com o quarteto de atacantes (Willian, Dudu, Luís Adriano e Rony), sem que o time apresente jogo coletivo que sustente tal reunião, sabota as possibilidades de desenvolvimento.

O tempo passa, o São Paulo avança, mas corre riscos de eliminação na Libertadores por estar em um grupo difícil. Já o Palmeiras segue estagnado, contudo, dificilmente não avançará na competição internacional, pois sua chave é a mais fácil entre as que têm times brasileiros. Quem olhar a tabela de classificação sem prestar atenção com o que se passa no campo deverá se surpreender quando o coronavírus permitir a bola novamente em jogo.

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