TORCIDA

‘Eu passo minha experiência de vida para os atletas mais jovens’

‘Eu passo minha experiência de vida para os atletas mais jovens’
Defensor que mais atuou pelo São Paulo em 2019 com 22 jogos, o zagueiro Bruno Alves vem conquistando espaço dentro e fora de campo. Depois de chegar ao clube em 2017 num momento em que o técnico Dorival Junior tinha outras cinco opções na zaga (Robert Arboleda, Rodrigo Caio, Diego Lugano, Aderllan e Douglas), ele…

Defensor que mais atuou pelo São Paulo em 2019 com 22 jogos, o zagueiro Bruno Alves vem conquistando espaço dentro e fora de campo. Depois de chegar ao clube em 2017 num momento em que o técnico Dorival Junior tinha outras cinco opções na zaga (Robert Arboleda, Rodrigo Caio, Diego Lugano, Aderllan e Douglas), ele se tornou titular da zaga aos poucos. No Paulistão, foi eleito um dos melhores zagueiros da competição. Fora de campo, ele passou a atuar como conselheiro informal dos atletas mais jovens. “A orientação que eu passo é a experiência de vida. Muitos jogadores esperam cinco ou até oito anos de carreira para conseguir jogar no São Paulo. Falo para eles não reclamarem e aproveitarem a oportunidade”, disse Bruno Alves com exclusividade ao Estado.

1. Desde que você chegou, o São Paulo vem vivendo bons e maus momentos. Qual é o balanço que você faz até agora?

Esse período tem sido bastante satisfatório. Quando eu cheguei, eu encontrei o clube em uma situação difícil. Em agosto, o time estava brigando para não cair. Foram momentos difíceis. Com a força do grupo e a força da torcida, nós conseguimos dar a volta por cima e fazer um 2018 melhor. A tendência é continuar evoluindo para buscar o caminho dos títulos que o São Paulo precisa.

2. Você teve a oportunidade de trabalhar com cinco treinadores de 2018 para cá (Dorival, Aguirre, Jardine, Mancini e Cuca). Quais as principais características de cada um deles?

Creio que pude aproveitar um pouco de cada treinador, de cada trabalho feito e da experiência deles e de quem formava as comissões técnicas. Todos com alguma bagagem e que puderam ajudar o grupo e me ajudar a evoluir individualmente também.

3. Como o time conseguiu se recuperar dentro do Paulistão?

Muitas coisas aconteceram no início que não foram boas. A eliminação na Libertadores de uma forma precoce prejudicou bastante. Isso não estava nos nossos planos. A partir do momento que o Mancini assumiu, ele tratou rapidamente de recuperar a confiança e a autoestima de todos. O time foi evoluindo e conseguiu fazer uma segunda fase fase muito boa e conseguiu brigar pelo título até o final. O ponto-chave foi o jogo em casa diante do Ituano. Nós jogamos bem, o que deu confiança para todos.

4. Após a final, você motivou vários colegas, mostrando que o time havia caído de pé. Esse apoio foi gravado e o vídeo teve grande repercussão positiva. Como foi aquele momento?

Foi uma coisa do coração. Não tem como explicar. Você vive e sente o momento. Eu senti vontade de fazer porque eu tinha visto como a gente lutou e batalhou, a nossa superação. Foi uma reta final de superação para o elenco. A gente deu o máximo. Na mistura da dor pela perda do título era preciso ressaltar que a gente lutou até o fim. A gente não podia sair de cabeça baixa na casa do adversário. Nós batalhamos e fomos guerreiros. Infelizmente, nós não conquistamos o título, mas recuperamos a essência e a raça do São Paulo. Nós honramos a camisa até o fim. Esse é o caminho certo para o título. Só ganha o campeonato quem chega.

5. No ano passado, o time chegou à liderança do Brasileirão, mas não se sustentou. O que fazer diferente em 2019?

O Campeonato Brasileiro é muito longo. Acredito que oscilamos na reta final e não poderíamos ter oscilado. Em 2019, precisamos tomar cuidado com os jogos principalmente em casa. Nós empatamos jogos e deixamos escapar. Temos de procurar “matar o jogo” e buscar os pontos fora de casa. Fazer uma pontuação geral boa para brigar lá em cima no G-4 até a reta final e dar a arrancada para o título nas rodadas finais.

6. Você acredita que o time está pronto para brigar pelo título?

O São Paulo sempre entra para brigar pelas primeiras posições. Estamos com um elenco qualificado, com peças importantes de recomposição. O ano é longo. Todo mundo vai jogar e todo mundo vai ser usado. Temos todas as peças para fazer um grande Campeonato Brasileiro e uma grande Copa do Brasil.

7. Como o Cuca gosta de jogar?

O Cuca é um treinador vitorioso, que conquistou títulos por onde passou. A gente confia muito no trabalho dele. Ele tem o elenco na mão. É um cara que pede muita intensidade, gosta de jogadas trabalhadas e procura trabalhar muito a parte ofensiva e de criação das jogadas. Ele gosta de manter a posse de bola, sair jogando com velocidade. Estamos evoluindo e estamos fazendo o que ele pede para termos sucesso no ano.

8. O São Paulo tem revelado muitos jogadores, principalmente do meio para a frente. Agora, estão aparecendo novos zagueiros também? Quais as orientações que você dá para eles?

A orientação que eu passo é a experiência de vida. Eu falo que eles estão no São Paulo. Muitos jogadores esperam cinco ou até oito anos de carreira para conseguir jogar aqui. Eles estão tendo a oportunidade de subir da base e jogar no clube. Eu falo para eles aproveitarem ao máximo. Falo para eles não reclamarem e aproveitarem a oportunidade de estar nesse clube. Eu converso com aqueles que não tiveram oportunidade para ficarem firme e esperarem a hora. No futebol, as coisas acontecem rapidamente, como uma lesão ou uma suspensão. Eles ouvem isso e gostam de conversar comigo. Eles são dedicados e terão a sua hora.

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