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Fã de Minecraft, ex-borracheiro aprende códigos e entra no mundo da startup

Fã de Minecraft, ex-borracheiro aprende códigos e entra no mundo da startup
O baiano Samuel Nascimento, 17, se apaixonou por tecnologia ao conhecer o jogo Minecraft quando mais novo. Enquanto trabalhava na borracharia da família em Osasco (Grande São Paulo), dividia seu tempo entre os reparos de veículos e a curiosidade de entender a engenharia de construção do game. No ano passado, quando surgiu uma oportunidade para…

O baiano Samuel Nascimento, 17, se apaixonou por tecnologia ao conhecer o jogo Minecraft quando mais novo. Enquanto trabalhava na borracharia da família em Osasco (Grande São Paulo), dividia seu tempo entre os reparos de veículos e a curiosidade de entender a engenharia de construção do game. No ano passado, quando surgiu uma oportunidade para aprender a programar, não pensou duas vezes.

Depois de alguns meses estudando códigos e conciliando o curso à rotina na borracharia, Samuel passou na seleção de uma startup no ano passado. Atualmente, fortalece sua carreira como desenvolvedor de programação da linguagem Java.

“A tecnologia é algo incrível se usada de maneira correta. Meu primeiro contato com a programação foi quando eu tinha uns 12 anos de idade e jogava Minecraft. Eu comecei a programar sem saber que era programação. Naquela época tinha alguns servidores da comunidade de Minecraft e para você fazer um servidor legal tinha que desenvolver alguns plugins [que adiciona funções a programas]”, conta a Tilt.

A borracharia é um empreendimento de Samuel e do irmão mais velho, Natan Nascimento, 21. Os dois começaram a trabalhar há cerca de quatro anos para ajudar nos cuidados com a mãe, diagnosticada com esquizofrenia.

Entre um serviço e outro, os dois usavam parte do tempo para conversar sobre tecnologia. O papo ganhava ainda mais evidência quando algum cliente se mostrava entendedor do assunto. “Sempre que alguém parecia ser da área de TI [tecnologia da informação], eu e meu irmão começávamos a falar sobre para fazer um networking”, relembra.

Samuel Nascimento (esq.) e o amigo Jucielton, que indicou cursos de programação para o rapaz

Imagem: Arquivo pessoal

Num desses encontros, Samuel conheceu Jucielton José dos Santos, um cliente que começou a dar dicas e a mostrar aspectos do mercado. O que seria um simples conserto de um pneu de carro deu ao jovem ainda mais curiosidade sobre o mundo da programação.

“Um tempo depois de ele mostrar como a área de tecnologia estava crescendo, ele me indicou um curso de Java. Eu dediquei quatro horas do meu dia na parte da noite apenas para esse curso. Depois de alguns meses, eu terminei e surgiu uma vaga em uma empresa”, destaca.

“Passei pelo processo seletivo e hoje trabalho na MaxMilhas como desenvolvedor Android nas linguagens de programação Java e Kotlin. Eu basicamente faço correções de bugs e problemas no aplicativo da MaxMilhas”, acrescenta.

Natan Nascimento (foto) começou a trabalhar na borracharia com o irmão Samuel há cerca de quatro anos

Imagem: Arquivo pessoal

Segundo Jucielton, o foco das conversas era mostrar as possibilidades de atuação na área e como os jovens poderiam iniciar na carreira. “Vi que eles se interessaram muito sobre o assunto e gostei disso”, diz.

O cliente, que virou amigo dos irmãos, voltou várias vezes para visitá-los na borracharia. “Os dois se encantaram pela área de back-end [área que cuida de banco de dados, por exemplo], assim limitamos o estudo e indiquei um curso. Meses foram se passando e cada vez mais o Samuel ficou dedicado nos estudos do curso. Ele tirava dúvidas na maioria das vezes à noite, por volta das 23h”, lembra.

“Ficávamos até de madrugada batendo papo sobre carreira e eu mostrando como funcionava o dia a dia nas empresas, quais ferramentas usávamos. Tinha dias que eu acordava e havia dúvidas no meu WhatsApp às 5h. Isso porque ele tinha que ir para borracharia cedo, então ele acordava mais cedo para estudar também antes de ir”, completa.

Após meses dessa mentoria compartilhada por Jucielton, e ao perceber que Samuel estava bom tecnicamente, o amigo indicou o rapaz para uma vaga de aprendiz na empresa onde trabalha. “E deu tudo certo”, concluiu.

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