TORCIDA

Hamburgo, crônica de uma interminável agonia

Hamburgo, crônica de uma interminável agonia
O tradicional clube do norte alemão virou o milênio esperando integrar o Top 10 da Europa. Ali começava, na verdade, sua lenta agonia rumo à inexorável decadência. O mundialmente famoso relógio digital afixado numa arquibancada do lendário Volksparkstadion (Estádio do Parque do Povo), a casa do Hamburgo, finalmente será desmontado logo após um show da…

O tradicional clube do norte alemão virou o milênio esperando integrar o Top 10 da Europa. Ali começava, na verdade, sua lenta agonia rumo à inexorável decadência.

O mundialmente famoso relógio digital afixado numa arquibancada do lendário Volksparkstadion (Estádio do Parque do Povo), a casa do Hamburgo, finalmente será desmontado logo após um show da pop-star Pink, em julho.

Um patrocinador havia doado o relógio ao clube em 2001. Afinal, os últimos 20 anos haviam sido razoavelmente bem-sucedidos e mereciam esse presente. Nesse período foram três títulos nacionais e dois títulos europeus que enchiam de orgulho os fiéis torcedores hamburgueses.

O relógio cronometrava minuto a minuto o tempo que o Hamburgo já estava na Bundesliga sem jamais ter caído para a segunda divisão. Com o advento do novo milênio, não apenas a torcida, mas também a população da segunda maior cidade da Alemanha imaginava que o time alçaria novamente voos mais altos no futebol alemão.

Naquela época, a própria diretoria do clube, sem nenhuma modéstia, anunciava aos quatro ventos que em pouco tempo o clube faria parte do seleto grupo Top 10 da Europa.

A história, entretanto, pregaria uma peça cruel aos dirigentes e torcedores. A lenta agonia rumo à inexorável decadência começava já na primeira década do novo século. O time ainda chegou a fazer uma boa campanha em 2006 terminando em terceiro lugar, mas foi só. Desde então vinha ladeira abaixo. Em 2014 e 2015, por exemplo, se salvou na bacia das almas da repescagem e conseguiu permanecer na primeira divisão.  

Em 2018 veio o amargo fim. Pela primeira vez em sua história, o Hamburgo era rebaixado. Muito já se escreveu sobre os motivos dessa degola, mas, de um clube que teve 24 técnicos nos últimos 20 anos, realmente não dá para esperar nada diferente.

O tradicional relógio no Volksparkstadion será desmontado

O mais curioso nessa história toda é que um observador atento seria capaz de prever o desastre iminente. Bastaria, para tanto, analisar objetivamente os fatos. Das últimas sete temporadas que disputou na Bundesliga, o Hamburgo se viu ameaçado pelo rebaixamento em quatro. Na quinta vez não aguentou o tranco e caiu. Foi quando vozes se levantaram pedindo o fim do relógio, mesmo porque não fazia mais nenhum sentido em mantê-lo funcionando.

Huub Stevens, ex-técnico do clube, na ocasião não deixou por menos: “Acabem logo com isso! Fica todo mundo olhando para o passado e falando sobre uma época que não volta mais”.

Tudo em vão. A diretoria achou uma nova função para o gigantesco cronômetro. Em vez do tempo na Bundesliga, os dígitos passaram a mostrar há quantos anos, meses, dias e horas o clube foi fundado. O tique-taque interminável teve uma sobrevida assim como o mascotinho “Dino”, fantasiado apropriadamente de Dinossauro. Explicaram depois que era “por amor às crianças”.

Havia uma expectativa muito forte de que o Hamburgo logo passaria pelo vale da dor da “segundona” e imediatamente voltaria ao futebol de elite. Era esse, afinal, o objetivo declarado e proclamado pelos cartolas, logo após o rebaixamento em 2018.

Tudo parecia caminhar de acordo com o figurino. O Hamburgo foi campeão do primeiro turno e os mais otimistas já se preparavam para a festa comemorativa do retorno à Bundesliga. Só que, mais uma vez, para desespero da fiel torcida, na segunda metade do campeonato os “calções vermelhos” despencaram. Tiveram um desempenho pífio na reta final da competição e na penúltima rodada sofreram uma derrota humilhante para o seu concorrente direto na luta pela vaga de acesso, sacramentando sua permanência por mais um ano na segunda divisão.

A agonia continua, mas pelo menos desta vez, o relógio vai embora. Bernd Hoffmann, diretor executivo do clube, declarou enfático: “Queremos trabalhar visando o futuro e, para alcançarmos nossos objetivos, não adianta nada ficar olhando o tempo todo no retrovisor”.

Para pavimentar o caminho futurista do Hamburgo, foi contratado o técnico Dieter Hecking (ex-Borussia M’Gladbach), conhecido por sua ênfase em sistemas que priorizam o futebol defensivo. Na sua última temporada no Gladbach, apesar de contar com bons valores no setor ofensivo, como Stindl, Raffael, Pleá, Hazard e Herrmann, o ataque marcou apenas 55 gols em 34 jogos. Para Hecking “bons ataques ganham jogos, boas defesas ganham campeonatos”.

De todo modo, Dieter Hecking representa uma nova esperança. Sua tarefa é encerrar o capítulo “segunda divisão” do tradicional clube já na próxima temporada. Não é por outro motivo que ele concordou em assinar um contrato de apenas um ano. Se conseguir alcançar o objetivo de voltar à Bundesliga, esse contrato sofrerá renovação automática.

Será então a primeira vez, desde 2007, que um técnico do Hamburgo fica no cargo por dois anos consecutivos e, de quebra, poderá ser início do fim dessa agonia que agora parece interminável.

Gerd Wenzel começou no jornalismo esportivo em 1991 na TV Cultura de São Paulo, quando pela primeira vez foi exibida a Bundesliga no Brasil. Desde 2002, atua nos canais ESPN como especialista em futebol alemão. Semanalmente, às quintas, produz o Podcast “Bundesliga no Ar”. A coluna Halbzeit sai às terças. Siga-o no TwitterFacebook e no site Bundesliga.com.br

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  • As mascotes da Bundesliga

    O bode Hennes, do Colônia

    O bode Hennes é a mascote mais velha da Bundesliga. Em 1950, um circo doou o primeiro Hennes ao Colônia. Claro que ele não existe mais. O atual já é o oitavo. Ele mora no zoológico de Colônia e sempre está presente na lateral do gramado quando a equipe joga em casa.

  • As mascotes da Bundesliga

    Emma, do Dortmund

    As cores do Borussia Dortmund são amarelo e preto, por isso nada mais natural que uma abelha como mascote. O nome Emma vem do jogador Lothar Emmerich, que de 1960 a 1969 vestiu a camisa do clube 215 vezes e fez 126 gols. Emma tem 2,25 m e calça 66! Ela usa a camisa 9, porque o clube foi fundado em 1909.

  • As mascotes da Bundesliga

    Berni, do Bayern de Munique

    O urso de pelúcia Berni apoia desde 2004 o time alemão recordista em títulos. Ele sucedeu a Bazi – um garoto de calça de couro, nariz redondo e orelhas de abano. Berni, que tem até uma música própria, conta em seu site no Facebook que seu padrinho é Bastian Schweinsteiger.

  • As mascotes da Bundesliga

    Erwin, do Schalke

    A mascote do Schalke lembra a tradição mineira da região de Gelsenkirchen, cidade do clube. Erwin foi criado em 1994 e, com seu nariz grande e pequeno boné, representa milhares de torcedores do Schalke.

  • As mascotes da Bundesliga

    O leão Brian, do Leverkusen

    O sonoro rugido de Brian the Lion é a característica da mascote do Bayer Leverkusen. O animal está no brasão do clube e da cidade de Leverkusen.

  • As mascotes da Bundesliga

    Wölfi, do Wolfsburg

    Wolf significa lobo em alemão, por isso, Wölfi (diminutivo carinhoso) é a mascotinha do Wolfburg desde 1997, quando o clube começou a disputar a primeira divisão do campeoanto alemão. Por ironia, pouco tempo depois, o clube teve um técnico que se chamava Wolfgang Wolf. Este ficou até 2003, mas Wölfi ainda continua na equipe. Ele mede 1,95 m, pesa 85 quilos e calça 49!

  • As mascotes da Bundesliga

    Füchsle, a raposinha do Freiburg

    Fuchs quer dizer raposa em alemão, e Füchsle é o diminutivo carinhoso no dialeto local. Ele está no Freiburg desde 2011, mas como figura de história em quadrinhos ele já existe há mais tempo. Ele usa a camisa 4, porque o clube é de 1904.

  • As mascotes da Bundesliga

    O dinossauro Hermann, do Hamburgo

    O Hamburgo é a única equipe que joga na primeira divisão da Bundesliga desde que ela foi criada, em 1963, sem nunca ter caído para a segunda. Por isso, o clube também é chamado de “dinossauro da Bundesliga”. A mascote ganhou o nome de Hermann Rieger, massagista do time por mais de 20 anos.

  • As mascotes da Bundesliga

    O potro Jünter, do Mönchengladbach

    A mascote do Borussia Mönchengladbach tem pelo preto, crina branca e 2,10 m de altura. Ele nasceu em 1965, quando o clube ascendeu à primeira divisão. Ele acompanha as partidas no estádio do clube desde 1998. O nome vem do famoso jogador e mais tarde comentarista Günter Netzer, que jogou 297 partidas pela equipe em dez anos, fazendo 108 gols. Jünter é uma forma renana do nome.

  • As mascotes da Bundesliga

    A águia Attila, mascote do Frankfurt

    Só o Colônia e o Frankfurt têm mascotes vivos. A asas da águia Attila têm uma envergadura de até dois metros. O animal pesa quatro quilos. Attila participa de todos os jogos quando a equipe atua em casa. Ele tem até cartão autografado com sua pegada.

  • As mascotes da Bundesliga

    O dragão Schanzi, do Ingolstadt

    O dragão vermelho apoia o Ingolstadt desde 2011. Seu nome vem de “Schanzer”, apelido de quem mora na cidade. O número da camisa dele é 4, pois o clube foi fundado em 2004. O dragão de dois metros de altura só não consegue cuspir fogo.

  • As mascotes da Bundesliga

    Bulli, do RB Leipzig

    O clube existe desde 2009. Na realidade, seu nome é RasenBallsport Leipzig, mas a fabricante de bebidas RedBull usa as iniciais para “Rote Bulle” (boi vermelho, em alusão ao símbolo da marca). O nome Bulli foi escolhido pelos torcedores.

  • As mascotes da Bundesliga

    Hoffi, do Hoffenheim

    O alce Hoffi nasceu em 2004 e nunca perdeu uma partida do time em casa. O talismã do ex-goleiro Christian Baumgärtner era um alce, que ficava no banco de reservas. A mascote tem dois metros de altura e pesa 100 quilos.

  • As mascotes da Bundesliga

    Herthinho, do Hertha Berlim

    O símbolo de Berlim e da equipe da capital alemã é o urso-pardo. Por isso, esse também é sua mascote. Mas no clube dizem que Herthinho é um urso-pardo trazido do Brasil quando o então empresário Dieter Hoeness retornou de um giro pela América do Sul em 1999. Com 2,35 e 128 quilos, é a maior mascote da Bundesliga. Ele já existia quando o brasileiro Marcelo Paraíba jogou no clube, de 2000 a 2006.

  • As mascotes da Bundesliga

    Os sem mascotes

    Quatro equipes que disputam a temporada 2016/2017 da primeira divisão do campeonato alemão não têm mascotes: Darmstadt, Augsburg, Werder Bremen e Mainz.

    Autoria: Roselaine Wandscheer


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