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Ministra japonesa admite chances de adiamento dos Jogos Olímpicos com coronavírus

(Reprodução/Youtube) SÃO PAULO – Depois de um antigo membro do Comitê Olímpico argumentar que o Japão deveria repensar a realização dos Olimpíadas de Tóquio 2020, chegou a vez do governo japonês aceitar que o surto da Covid-19 pode ter sérios efeitos na competição esportiva e mudar o tom sobre os impactos da doença.Seiko Hashimoto, ministra…
(Reprodução/Youtube)

SÃO PAULO – Depois de um antigo membro do Comitê Olímpico argumentar que o Japão deveria repensar a realização dos Olimpíadas de Tóquio 2020, chegou a vez do governo japonês aceitar que o surto da Covid-19 pode ter sérios efeitos na competição esportiva e mudar o tom sobre os impactos da doença.

Seiko Hashimoto, ministra das Olimpíadas no Japão, afirmou que, embora haja um contrato de realização dos jogos com o Comité Olímpico Internacional (COI) em 2020, o governo japonês pode adiar o evento para o fim do ano – e não começar em 24 de julho, conforme o planejado.

“O COI tem o direito de cancelar os jogos apenas se não forem realizados em 2020”, disse Hashimoto em coletiva. “Isso pode ser interpretado como significando que os jogos podem ser adiados, desde que sejam realizados durante o ano civil”.

Hashimoto, que além de ministra é ex-atleta olímpica, por outro lado, reafirmou que o governo japonês tem tentado de tudo para cumprir os prazos e o planejamento para que o evento ocorra.

“Estamos fazendo o máximo de esforços para que não tenhamos de encarar essa situação”, concluiu a ministra.

Resposta do Comitê Olímpico Internacional

Após a fala da ministra repercutir internacionalmente, o COI emitiu uma nota oficial para reafirmar o compromisso da instituição com a realização dos Jogos Olímpicos de Tóquio na data planejada.

“O Conselho Executivo do Comitê Olímpico Internacional (COI) expressa hoje seu total comprometimento com o sucesso dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, agendado para 24 de julho a 9 de agosto de 2020”, diz a nota do COI.

O comitê ainda argumenta que, junto com autoridades japonesas e membros da Organização Mundial da Saúde (OMS), foi formada uma força tarefa para viabilizar as medidas de prevenção e garantir a segurança dos atletas e turistas. Na nota, a instituição informa que irá seguir as diretrizes da OMS sobre como lidar com a infecção.

“O COI continuará a seguir os conselhos da OMS, como a principal agência das Nações Unidas sobre esse assunto. O Conselho Executivo do COI agradeceu à OMS por seus valiosos conselhos e cooperação contínuos”.

Por fim, o comitê recomendou que os atletas continuem se preparando para o evento, mantendo a posição de que, por enquanto, a Olimpíada ainda irá acontecer na data prevista.

“Também elogia a grande unidade e solidariedade dos atletas, comitês olímpicos nacionais, federações internacionais e governos. Saúda sua estreita colaboração e flexibilidade com relação aos preparativos para os Jogos e, principalmente, aos eventos de qualificação. Todas as partes interessadas continuam trabalhando juntas para enfrentar os desafios do coronavírus. O Conselho Executivo do COI incentiva todos os atletas a continuarem se preparando para os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020”, conclui o COI em nota.

Coronavírus e os eventos esportivos

O Japão, um dos países com alto número de infectados, pode sofrer – em uma escala muito maior – o que diversos países estão enfrentando com o coronavírus: o efeito colateral sobre eventos esportivos.

Na Itália, maior foco de contaminação fora da Ásia, diversas partidas das competições nacionais de futebol foram canceladas ou adiadas.

Cinco partidas da Lega Nazionale Professionisti Serie A, campeonato nacional de futebol italiano, que seriam disputadas com portões fechados, sem torcida, nesse último final de semana, foram adiadas por conta da epidemia. Entre as partidas adiadas estava o clássico entre Juventus e Inter de Milão.

Segundo a Liga Italiana de Futebol, os cinco jogos foram transferidos para o dia 13 de maio. Com esse adiamento, a Copa da Itália também foi afetada, já que a final do torneio, que inicialmente estava prevista para 13 de maio, foi transferida para 20 de maio.

“Levando em conta as diversas normas urgentes que têm sido adotadas pelo governo para responder à extraordinária emergência, e pela saúde e segurança pública, o presidente da Liga Profissional da Série A comunica que foram adiadas várias partidas do Campeonato Italiano, inicialmente previstas com portões fechados”, explicou a liga italiana em comunicado.

A Juventus, no último sábado (29), emitiu um comunicado anunciando a suspensão dos treinos do time sub-23, por suspeita de infecção entre os atletas.

A suspeita surgiu após a Juventus enfrentar o Pianese, em jogo válido pela Terceira Divisão do Campeonato Italiano. Um dos atacantes do time adversário da Juventus, o ítalo-nigeriano King Udoh, foi o primeiro jogador de futebol diagnosticado com o novo coronavírus – o que colocou o departamento médico do time de Turim em alerta.

Na Ásia, o Grande Prêmio da China de Fórmula 1, marcado para ocorrer em abril, foi adiado pela Federação Internacional de Automobilismo.

Aleksander Ceferin, presidente da União das Associações Europeias de Futebol (UEFA, na sigla em inglês), afirmou que é impossível prever quais problemas podem surgir ao organizar uma competição, mas que o vírus é a maior preocupação para a realização da Eurocopa 2020.

“Estamos lidando com isso e estamos confiantes, acreditamos que podemos combater este problema. Tentamos não cair no pior cenário possível”, disse o presidente em coletiva.

O suíço Gianni Infantino, presidente da FIFA, também endossa a preocupação na realização da Eurocopa 2020 e afirma que o evento pode não ocorrer, embora ele torça para que não haja uma onda de cancelamentos de eventos esportivos em escala global.

“Não podemos descartar nada, mas não podemos entrar em pânico. Pessoalmente, não estou preocupado, mas devemos avaliar seriamente a situação, embora esperamos não avançar em direção a uma suspensão de eventos em escala global”, afirmou Infantino.

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