CARLOS AUGUSTO

Mulher denuncia distribuição de Bíblias para pacientes em fila de aborto em hospital

Mulher denuncia distribuição de Bíblias para pacientes em fila de aborto em hospital
Exemplar do Novo Testamento

Uma mulher que preferiu manter-se anônima denunciou ter recebido um exemplar da Bíblia (Novo Testamento e Salmos) enquanto aguardava para a realização de ultrassom onde faria um aborto legal no Hospital Pérola Byington, no centro de São Paulo.

A mulher, uma universitária de 26 anos, grávida de dois meses, vítima de estupro, relatou que outras gestantes presentes na fila do exame também receberam o livro. Segundo ela, um grupo de mulheres abordou ela e as demais pacientes do recinto para entregar Bíblias e absorventes.

A estudante do Ensino Superior diz que procurou o serviço do hospital para interromper a gravidez, resultado de um estupro, violência que se deu dentro de uma relação abusiva.

O hospital, que pertencente à Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, é o principal serviço onde se realiza abortos previstos em lei e no atendimento de casos de violência sexual.

A legislação brasileira autoriza a realização do procedimento em casos de gravidez decorrente de estupro, risco de vida à mulher ou (por decisão de 2012 do Supremo Tribunal Federal) gestação de feto anencéfalo.

Nota do hospital

Em nota como resposta ao ocorrido, o hospital publicou uma nota oficial:

“O Hospital Pérola Byington lamenta o desconforto e repudia qualquer atitude contrária à liberdade de consciência e de crença quanto o caráter laico de instituições públicas, previstos em Constituição. A unidade respeita as escolhas individuais de seus usuários, e justamente por isso não permite a distribuição de panfletos ou livros como o citado pela reportagem dentro da unidade. A direção está reforçando as orientações aos seus profissionais e voluntários da capelania hospitalar, que devem seguir as normas estabelecidas pelo hospital.”

A nota termina com a disponibilização de contatos e da ouvidoria do hospital.

A denunciante não conseguiu identificar quem eram as mulheres distribuindo as edições da Bíblia.

“Elas não falaram nada, só entregaram os livros e os absorventes. Acho que eram enfermeiras. Vestiam uniformes e pareciam estar trabalhando no hospital. Chegaram várias caixas, não dava pra entender se cheias de absorvente ou Bíblias. Eu achei estranho porque eu estava lá para acessar meus direitos e geralmente essas religiões, católica e evangélicas, abominam qualquer direito da mulher. Eu sou uma pessoa de fé, acredito numa força maior, que vem do amor, e não que pune e prejudica apenas as mulheres. Achei muito arcaico, nada a ver um hospital distribuir isso”, disse a mulher à reportagem da Marie Claire.

Fonte: Guia-me com informações de Marie Claire


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