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Mulher negra é agredida por moradora de prédio na área nobre de São Paulo

Mulher negra é agredida por moradora de prédio na área nobre de São Paulo
A moradora puxou o cabelo, deu oito joelhadas e ainda bateu a cabeça de Eliane de Paula contra a parede A cozinheira Eliane Aparecida de Paula foi agredida por uma mulher apontada como moradora de um prédio na região dos Jardins, área nobre de São Paulo, enquanto esperava o transporte para sair do trabalho. A…

A moradora puxou o cabelo, deu oito joelhadas e ainda bateu a cabeça de Eliane de Paula contra a parede

A cozinheira Eliane Aparecida de Paula foi agredida por uma mulher apontada como moradora de um prédio na região dos Jardins, área nobre de São Paulo, enquanto esperava o transporte para sair do trabalho. A mulher, que é negra, disse que iria chamar a polícia, mas a ameaça não parou a agressora.

Ao Estadão, Eliane conta que tentou dialogar com a mulher, que a abordou quando ela estava sentada em um banco. No entanto, imagens do circuito interno de segurança exibidas no Jornal Nacional mostram que Eliane foi agredida com puxão de cabelo e oito joelhadas, e batendo sua cabeça contra a parede.

Após ser empurrada, Eliane decidiu impedir que a agressora deixasse o local, a fim de aguardar a chegada da polícia. “Falo que ela cometeu crimes, o do racismo, por ter falado coisas horrorosas, que iria acionar a polícia. Falo firme que ela vai ser presa, que vou chamar a polícia”, conta. Segundo ela, a mulher dizia que uma queixa na polícia “não daria em nada”.

Imagens mostram momento da agressão, em prédio da área nobre de São Paulo

Foto: Reprodução/ Globo

O caso aconteceu no dia 22 de outubro de 2021, mas só veio a público nesta semana, quando Eliane conseguiu acesso às imagens. A ocorrência, na época, foi registrada como lesão corporal e injúria. O advogado da vítima afirmou que irá entrar com ação criminal contra a moradora que a agrediu.

“Ela dizia ‘que negra esquisita’”, comenta em entrevista ao Estadão. “Tentei ignorar no primeiro momento, fazer que não era comigo”, recorda-se. “Tentei explicar para ela, conscientizar do ato que estava fazendo”, continua. “Perguntava o que eu estava fazendo ali, para quem eu trabalhava, e mesmo assim eu tentava conscientizar. E ela continuava”, lembra.

Medo de novas agressões

Cinco meses depois, Eliane revelou que ainda teme pela sua integridade quando vai trabalhar. Em locais que está pela primeira vez, ela costuma até mesmo pedir para que o cliente a encontre na portaria para evitar algum tipo de discriminação.

“Desde criança, a gente sofre. Os primeiros, a gente não sabe o que é, porque não sabe o que é racismo. Com livros, informações, passa a entender e perceber os olhares, o comportamento das pessoas, a perceber o racismo em lojas. São inúmeras situações. Pelo menos uma vez por semana tem uma situação”, conta. “Lamentavelmente, faz parte do cotidiano (da pessoa negra). Agora, no nível dessa situação que vivi, jamais imaginei viver”, completa.

Mesmo no caso mais grave que sofreu, diz que algumas pessoas duvidaram da situação e até trataram o caso como “vitimismo”. Ao Estadão ela conta que evitou falar da situação, mas decidiu expor o caso pelos outros, para que a sociedade entenda que a racismo é crime e a cor de sua pele não a diferencia de ninguém.

“Sou uma pessoa muito guerreira, trabalho muito. Perdi um filho em um acidente de trânsito há um ano e quatro meses. Eu não estava para buscar agressões.”

Advogado de Eliane no caso, Theodoro Balducci argumenta que o vídeo prova a ocorrência dos crimes. Segundo ele, a lesão corporal pode ter pena de três meses a um ano, enquanto a injúria racial de um a três anos de reclusão, além da multa.

“Está muito claro. Não há nenhuma dúvida. E não foi um simples tapa, um chute, foram várias joelhadas, cabeçadas na parede, houve um empurrão. Temos um contexto muito forte”, diz. 

A reportagem do Estadão não conseguiu contato com a suposta moradora.

*Com informações de Estadão Conteúdo.

Fonte: Terra

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