BRASILEIRÃO

Na Série A do Brasileirão | Gringos comandam 20% dos times da elite; blogueiros avaliam se isso é desprestígio

Na Série A do Brasileirão | Gringos comandam 20% dos times da elite; blogueiros avaliam se isso é desprestígio
O ano de 2020 começa com quatro técnicos estrangeiros entre os 20 times que fazem parte da elite do futebol brasileiro: Jorge Jesus, no Flamengo, Eduardo Coudet, no Internacional, Rafael Dudamel, no Atlético-MG, e Jesualdo Ferreira, no Santos. Um total de 20%.O número — que pode aumentar caso o Bragantino também feche com um gringo…

O ano de 2020 começa com quatro técnicos estrangeiros entre os 20 times que fazem parte da elite do futebol brasileiro: Jorge Jesus, no Flamengo, Eduardo Coudet, no Internacional, Rafael Dudamel, no Atlético-MG, e Jesualdo Ferreira, no Santos. Um total de 20%.

O número — que pode aumentar caso o Bragantino também feche com um gringo no mercado da bola — é bem superior ao do ano passado, quando apenas um (ou 5% do total) treinador entre os 20 da Série A era estrangeiro: Jorge Sampaoli, no Santos.

Porém, o sucesso de Jorge Jesus com o Flamengo — campeão brasileiro e da Libertadores — e de Jorge Sampaoli com o Santos — vice brasileiro — fez os clubes nacionais colocarem estrangeiros na mira quando o assunto era buscar um novo técnico.

Essa procura é justa? Representa fraqueza dos técnicos anteriores? Fizemos essas perguntas aos blogueiros do UOL Esporte. Veja o que eles pensam:

ANDRÉ ROCHA

É consequência do sucesso de Jorge Jesus e Sampaoli. E pelas demissões inquestionáveis dos treinadores de sucesso dos últimos anos, excluindo Renato Gaúcho — Cuca, Felipão, Carille e Mano.

Só não pode virar moda e termos escolhas aleatórias e sem embasamento.

Leia o blog do André Rocha.

ANDREI KAMPFF

Nossos gestores ainda são mais reféns dos resultados do que das próprias convicções.

Por isso, apostam sempre naquilo que anda em alta. Depois do título brasileiro do Palmeiras com Felipão, foi a vez de apostar em técnicos experientes. Com o sucesso de Carille, apareceram Odair e Tiago Nunes. Agora, com o bom trabalho de Sampaoli e Jesus, a onda é apostar em técnico estrangeiro.

O futebol hoje é muito mais visto do que jamais foi. Claro que se sabe do belo trabalho do técnico do Del Valle, e se pode ir atrás pra entender como ele lida com as categorias de base, como formou o grupo, como gosta de trabalhar e qual a ideia de jogo. Mas ainda são poucos os que buscam essas informações. Se foi campeão, e é estrangeiro já é suficiente.

Portanto, não vejo fraqueza dos técnicos, mas como uma novidade. E ela vai durar de acordo com o que a temporada apresentar.

Leia o blog Lei em Campo.

JUCA KFOURI

Acho que é justo procurar bons técnicos nascidos onde quer que seja. Significa que os resultadistas estão em baixa.

Leia o blog do Juca.

MARCEL RIZZO

Alguns times estão saindo da obviedade daquela lista de dez técnicos que se revezam nos grandes brasileiros. Como o mercado brasileiros de treinadores está estagnado, todos que estão contratando estrangeiros estão fazendo boas apostas. Pode dar errado? Pode, mas quem ficou na mesmice é quase certo que dará errado.

Leia o blog do Marcel Rizzo.

MENON

A invasão estrangeira — o Inter trouxe Coudet, que brilhou no Rosário Central e Racing — é um tapa na cara dos brasileiros.

A luta pela recolocação será maior. Os exemplos são claros. Antes de Dudamel, o Galo tentou Sampaoli. Não foi Cuca, que o comandou na maior conquista de sua história. Não foi Felipão, não foi Carille?

A culpa é dos próprios técnicos brasileiros, que não saem de sua bolha. Não se renovam. Não ousam. Continuam sempre na tática do cobertor curto: se a gente estiver perdendo, atacamos, se a gente estiver ganhando, defendemos.

Quais são os auxiliares de nossos treinadores? O que eles acrescentam, além de fidelidade canina? Tite e seu filho Mateus, Cuca e seu irmão Cuquinha, Felipão e Murtosa ou Paulo Turra, com seus enormes fones, Marcelo Oliveira e Tico, Mano e Sidnei?

São parentes ou velhos conhecidos, cuja maior qualidade é o fato de não ameaçarem. São fiéis, não traem. Afinal, quando e onde conseguiriam salários em torno de R$ 100 mil mensais?

Tudo estava muito bom para os treinadores brasileiros. Vou mal no Cruzeiro, vou para o Palmeiras. Vou mal no Palmeiras, o Santos está aí, fracasso no Santos e o São Paulo me acolhe.

Agora, mudou. Abel ainda consegue o Vasco, após más passagens por Flamengo e Cruzeiro, o Botafogo ainda aposta em Valentim, que foi péssimo no Avaí, mas a concorrência aumentou. Além de Jesus e Jesualdo, além de Coudet e Dudamel, há muitos nomes na agenda.

Os brasileiros precisam mudar também. Ou perderão mercado a cada dia. Terão de levar seus prestimosos auxiliares ao Japão, Arábia Saudita, Kuwait, países que ainda acolhem brasileiros.

Ou, então, buscarem a Série B. (LEIA MAIS)

Leia o blog do Menon.

MILTON NEVES

Realmente hoje é o pior momento da história dos técnicos brasileiros porque eles nunca foram tão enfrentados pelos estrangeiros.

O sucesso de Jorge Jesus e Jorge Sampaoli fez tremer a base dos nossos “treineiros” gerando até ciúmes.

Mas, daí a dizer que os técnicos brasileiros “estão mortos” é um grande exagero.

Tem lugar para todo mundo. Tem técnico para burro e quem é bom sempre terá lugar, independente do local de nascimento.

Quem está enganando é o Tite, que está enferrujado há muito tempo.

CBF está empurrando com a barriga e deveria tirar no palitinho o seu substituto.

Um dos dois Jorge ou o Mourinho.

Leia o blog do Milton Neves.

PERRONE

A procura por treinadores estrangeiros é justíssima. O nível dos técnicos brasileiros, na média, está baixo faz tempo. Esse aumento é principalmente reflexo dos sucessos de Jesus e Sampaoli.

Leia o blog do Perrone.

PVC

Ano novo, perguntas velhas… Acho justa a procura por futebol ofensivo. Quem pratica? Quem quer jogar e consegue fazer isso? Nada vai dar certo no Brasil se não mudar o nosso analfabetismo de trocar de técnico depois de três derrotas.

Leia o blog do PVC.

RENATA MENDONÇA

A chegada de Jorge Jesus e Jorge Sampaoli ao Brasil no ano passado sacudiu o mercado dos técnicos porque a proposta de jogo que eles trouxeram a seus respectivos times era diferente da que se acostumou a jogar nos clubes brasileiros. Por anos, as equipes mais valorizadas eram as que jogavam um estilo mais “fechado” de jogo, times que eram seguros defensivamente e eficientes ofensivamente. Mas as ideias mais ousadas de Sampaoli e Jorge Jesus, de um jogo ofensivo o tempo todo, deram certo e fizeram com que as próprias torcidas cobrassem mais dos seus treinadores – não só vitórias, mas também um jogo mais interessante de assistir. O Palmeiras trocou de técnico (primeiro para Mano e agora para Luxa) não porque não estava ganhando – a campanha em termos de pontuação foi excelente em 2019 -, mas porque a torcida queria mais de um time que tem tanta capacidade de investimento. Queria ver o time jogando pra frente, de maneira mais ousada, como o Flamengo joga. Agora não acho que o segredo para se buscar um técnico tem a ver com a nacionalidade dele. Tem a ver com competência. E tem a ver com projeto. Porque não adianta você ter jogadores super ofensivos e contratar um técnico que privilegia a defesa. E vice-versa. Acho que os clubes aqui sempre apelaram para técnicos medalhões, de renome, que pudessem ser um escudo aos dirigentes, sem se preocupar tanto com as características de jogo desse técnico. O que deveria mudar por aqui é como se contrata um treinador, e não necessariamente quem se contrata. O clube precisa pensar no tipo de jogador que ele tem para entender quem é o comandante que poderá tirar mais desses atletas. Se ele/ela será brasileiro, português, argentino ou japonês, tanto faz. O que importa é que haja coerência na escolha e tempo de trabalho para que o escolhido possa colocar suas ideias em prática. Acho justa a procura por outros nomes, diferentes daqueles com que estamos acostumados, porque isso pode inclusive fazer os técnicos “ultrapassados” se reinventarem para voltar ao mercado. Mas também não adianta contratar um técnico “só porque ele é estrangeiro”. O maior benefício da vinda de Sampaoli e Jesus foi nos lembrar que o futebol não precisa cair na mesmice. E espero que eles tenham ensinado aos dirigentes que uma contratação certeira de técnico também pode valer um campeonato.

Leia o blog Dibradoras.

RENATO MAURÍCIO PRADO

Justíssima. Novas visões de jogos só podem fazer bem ao nosso futebol, que estava completamente estagnado em termos táticos e estratégicos, até as chegadas de Sampaoli e Jorge Jesus.

Leia o blog do Renato Maurício Prado.

RODRIGO MATTOS

A procura de clubes brasileiros por técnicos estrangeiros faz sentido depois que Jesus e Sampaoli desnudaram a distância da maioria dos treinadores daqui para bons comandantes de outros países. E, sim, isso significa que a nossa escola de treinadores está atrasada e abaixo de outros mercados, como já vinha sendo dito antes dos estrangeiros chegarem. Não adianta, no entanto, contratar qualquer um como já demonstrou em experiências fracassadas com técnicos de outros países anteriormente. É preciso identificar a qualidade e perfil de cada um.

Leia o blog do Rodrigo Mattos.

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