TORCIDA

Nas redes sociais, Xiaomi tem torcida organizada

Nas redes sociais, Xiaomi tem torcida organizada
Amigos por conta do grupo Xiaomi Brasil 2.0, fãs da marca se encontram na abertura da loja Todos os dias, um grupo de pessoas que poderia lotar um estádio de futebol acompanha pela internet discussões sobre uma marca cujo nome ninguém sabe pronunciar direito. O motivo? A paixão pelo custo-benefício dos produtos da Xiaomi, fabricante…

Amigos por conta do grupo Xiaomi Brasil 2.0, fãs da marca se encontram na abertura da loja

Todos os dias, um grupo de pessoas que poderia lotar um estádio de futebol acompanha pela internet discussões sobre uma marca cujo nome ninguém sabe pronunciar direito. O motivo? A paixão pelo custo-benefício dos produtos da Xiaomi, fabricante chinesa que, após anos afastada, retornou ao mercado brasileiro há cerca de um mês. Reunidos em grupos no Facebook, os fãs da empresa fortalecem a marca no País e são peça importante em sua estratégia de marketing.

Hoje, dois grupos disputam o “trono” de principal fórum de discussões sobre a marca no Facebook: mais antigo, o Xiaomi Brasil tem mais de 70 mil membros. Já o Xiaomi Brasil 2.0 é maior: tem 120 mil pessoas. Nesses espaços, os “mi fãs”, como são chamados os fãs da marca, trocam informações sobre produtos, pedem dicas de compras, tiram dúvidas sobre problemas técnicos e, claro, se gabam em selfies com seus “novos brinquedinhos”. Além de fabricar celulares, a marca tem vasta gama de produtos, de drones e patinetes elétricos a mochilas e panelas, tudo “conectado”. 

Os grupos afirmam não ter nenhuma parceria oficial com a Xiaomi ou varejistas. “Não fazemos propaganda”, diz Igor Silva, um dos moderadores do Xiaomi Brasil 2.0. “Somos uma ferramenta de suporte ao usuário da empresa: ajudamos as pessoas e desejamos ser apenas um grupo de fãs.” 

Igor Silva, moderador do grupo Xiaomi Brasil 2.0, fez ‘live’ no Facebook durante abertura da loja da Xiaomi em São Paulo

Engenheiro agrimensor de 28 anos, Silva leva a palavra fã a sério: em 21 de maio, ele desmarcou uma sessão de orientação no mestrado e viajou do Rio de Janeiro a São Paulo só para participar de um evento da empresa fechado para convidados. “Gosto muito de estar com a marca e viver sua realidade. É uma satisfação pessoal”, diz. 

Além de usar um smartphone da empresa, diz ter cerca de outros 15 produtos Xiaomi em casa, incluindo um drone e uma balança fitness inteligente. No último sábado, Silva viajou de novo – e não deixou de se dedicar ao grupo: durante a abertura da loja, fez uma transmissão ao vivo no Facebook para os companheiros  que não conseguiram ir a São Paulo.  

Catequização

Além dos grupos “sérios”, existem ainda diversas páginas na rede social que promovem a marca por meio de “memes” – uma delas, com 86 mil seguidores, publica imagens até de baixo calão ironizando quem “paga R$ 6 mil num iPhone” e defendendo a Xiaomi. Em uma das publicações mais leves, uma paródia mostra o Bob Esponja rindo de um amigo que reclama sobre a bateria do iPhone descarregar rápido. 

Criador do Xiaomi Brasil, o jornalista Luciano Vanderley diz que cuidar do grupo dá trabalho. “Precisa filtrar o conteúdo, tem muita gente que fala de outros aparelhos e acaba tumultuando”, diz ele. 

Para Silva, porém, moderar o grupo está longe de ser um peso. “Todo mundo faz porque gosta. É como terapia: não imagino como seria chegar em casa à noite e não abrir o grupo”, conta. A dedicação já provocou até ciúmes da namorada do engenheiro. Mas a paixão é tão grande que, na entrevista ao Estado, Igor não poupou esforços para “converter” a repórter à marca chinesa: “compra um celular intermediário deles. Você nunca mais vai usar outra marca na vida.”

*É estagiária, sob supervisão de Bruno Capelas

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