TORCIDA

O dia de lembrar que o Fluminense tem torcida

O dia de lembrar que o Fluminense tem torcida
A conversa com um dirigente do Fluminense, da gestão passada, tratava do sucesso do plano de sócios de clubes como Corinthians e Palmeiras. Não da necessidade de copiar, mas de estudar o que poderia se adaptar ao perfil tricolor. A resposta do cético dirigente foi definitiva: "Você precisa entender que o Rio de Janeiro é…

A conversa com um dirigente do Fluminense, da gestão passada, tratava do sucesso do plano de sócios de clubes como Corinthians e Palmeiras. Não da necessidade de copiar, mas de estudar o que poderia se adaptar ao perfil tricolor. A resposta do cético dirigente foi definitiva: “Você precisa entender que o Rio de Janeiro é diferente. Aqui tudo compete. Tem praia.”

Existe um velho mantra segundo o qual o torcedor tem de contribuir com o clube. A lógica deveria ser inversa: o clube tem de saber vender ingresso, convencer seu torcedor a estar presente. Se um vendedor não consegue vender ar condicionado no verão carioca, a culpa é dele ou de quem não quer comprar?

O mau vendedor e o mau dirigente fazem tudo parecer difícil.

O Fluminense sofre hoje com a 14a colocação no ranking de público do Brasil, com 15 mil por jogo. Contabilizando apenas o Brasileiro, é o nono colocado, com 21 mil de média, atrás de Fortaleza, Ceará, Bahia, Internacional. Isso faz parecer que não tem torcida. A impressão no Rio de Janeiro hoje é de um processo de flamenguização da cidade.

O sucesso rubro-negro dos últimos anos faz ampliar a superioridade de torcida do Flamengo. Isso não significa que não existam tricolores, botafoguenses e vascaínos. Há aos montes. A noite desta quinta-feira pode dar uma demonstração disso. Já há mais de 40 mil ingressos vendidos, expectativa de 50 mil torcedores no Maracanã para Fluminense x Corinthians.

Lembranças de quando o Fluminense, na Libertadores, colocava 86 mil contra a LDU, 78 mil contra o Boca Juniors, 68 mil contra o São Paulo. Ou, na luta contra o rebaixamento, na temporada seguinte, quando o Maracanã encheu com 66 mil contra o Palmieras, 52 mil contra o Athletico Paranaense.

Naquela época, como em todas, prevalecia a cruel realidade do público no Brasil, de estádio cheio em jogo importante e casa vazia em jogo pequeno. Neste momento, Flamengo, Corinthians, Palmeiras e, em parte, o São Paulo, conseguem transformar esta realidade. O Fluminense, ainda não.

Ninguém julga e nem deve que o Fluminense tenha tanta torcida quanto o Flamengo. Mas tem torcida para encher o Maracanã. A noite desta quinta-feira, contra o Corinthians, pode ajudar nessa lembrança e permitir que a nova direção tricolor pense diferente da velha. No Rio de Janeiro, como em São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre e Curitiba, tudo concorre. Cinema, teatro, shopping center, praia… É por isso a necessidade de trabalhar arduamente para seduzir o torcedor, que existe, de que o melhor programa é ir ao estádio de futebol.

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