TORCIDA

O que são times de transição?

O que são times de transição?
Por HUMBERTO MIRANDA*Perdas, saudades e tragédias no esporte esses dias, hein? A vida continua. E precisa ser, mais do que nunca, reinventada. Mais ou menos assim escreveu Clarisse Lispector.O que não se reinventa mesmo são os campeonatos estaduais.Até os clubes perceberam que terão de se adaptar, pondo em campo times alter BB ativos. Ou, como…

Por HUMBERTO MIRANDA*

Perdas, saudades e tragédias no esporte esses dias, hein?

A vida continua. E precisa ser, mais do que nunca, reinventada. Mais ou menos assim escreveu Clarisse Lispector.

O que não se reinventa mesmo são os campeonatos estaduais.

Até os clubes perceberam que terão de se adaptar, pondo em campo times alter BB ativos. Ou, como dizem os treinadores, times de transição.

O próprio meio-campo, lugar do pensamento, virou lugar onde os times fazem a “transição”.

Eu não entendo mais nada. O que realmente significa a tal palavra? Transição para que e onde?

Muitos tratam “transição” como forma de estar, quando na verdade é movimento dentro de uma totalidade. Um devir. Vejamos.

Os clubes têm uma baixa capacidade de articulação e pouca vontade de mudar.

Mudar? E meu adversário vai mudar também?

Bahia e Flamengo mudaram e estão colhendo, de formas distintas, muito sucesso.

Aqui em Salvador existe uma expectativa muito grande em relação ao Bahia 2020.

O ‘bora bahea’ quer algo mais concreto que a boa gestão. Quer títulos!

É sempre difícil fazer essa transição (concreta).

Basta lembrar que o próprio Flamengo não estava convencido disto no início de 2019 quando contratou Abel Braga mesmo sendo óbvio que não haveria qualquer “liga” entre o estilo dele e as características do elenco de jogadores.

O Flamengo precisava acreditar numa transição verdadeira.

E resolveu contratar Jesus, até por uma questão de fé. Colheu mais que isso. Pela força de sua torcida, jogou uma semente de mudança no futebol brasileiro. Vão cultivá-la? A ver.

Lembro que a transição do Atlético Paranaense ocorreu até no nome (Athletico), mas não serviu para abalar as “convicções” dos dirigentes dos clubes e federações brasileiros, sempre acomodados em seus próprios interesses.

O aumento do prestígio do Bahia no Sudeste aconteceu por várias coisas interessantes, não pelo futebol jogado. A gente sempre se pergunta quando as coisas vão caminhar juntas e ganhar sinergia.

Como fazer uma transição de verdade, concreta, no futebol brasileiro sem ficar apenas nos exemplos isolados?

Digo aos amigos de Campinas, no interior de São Paulo, que quem não tem Copa do Nordeste, se vira com o “paulistinha”.

Engraçado isso. De onde deveria surgir as mudanças nada ocorre.

São Paulo trocou os treinadores gaúchos pelos paranaenses. Essa foi a mudança de quem mudou. Ainda de Sampaoli para o Santos foi transitória num time transitório, mas com relativo sucesso. E só.

Essa foi a transição paulista, sempre e quase sempre, conservadora. Minas Gerais é bom nem comentar nada.

Até a originalidade das velhas boas ideias, como o torneio Rio-São Paulo não são reeditadas por pura preguiça ou presunção. Algo que ajudaria a elevar o nível do futebol dos quatro grandes do Rio e de São Paulo não é sequer aventado.

Mas eu não espero muito, ou melhor, nada desses dirigentes. E temo que o Flamengo seja o novo Corinthians depois do enorme sucesso. O Timão de hoje é uma pobreza futebolística. Já pensou um duelo entre o Corinthians (campeão de ontem) e Flamengo (campeão de hoje)?

A questão da transição precisa ser resolvida. Não me pergunte como, mas tem de ser. Boas ideias velhas e bom senso estão aí para isso.

Enquanto isso, a Copa do Nordeste vai preenchendo o vazio do futebol no Sudeste neste início de ano.

Depois virão os campeonatos que interessam e tudo cairá em esquecimento neste 2020.

Em dezembro não digam que não avisamos.

*Humberto Miranda é professor de Economia na Universidade de Campinas.

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