BRASILEIRÃO

Paulistas mais fracos? | Saída de Dudu do Palmeiras aumenta fuga de talentos dos 4 grandes de SP

Paulistas mais fracos? | Saída de Dudu do Palmeiras aumenta fuga de talentos dos 4 grandes de SP
O atacante Dudu fechou, ontem, um acordo de empréstimo para o Al-Duhail, do Qatar. Ele deixa o Palmeiras após cinco anos e meio por 13 milhões de euros — somando o valor do empréstimo e a cláusula de compra. Não é um valor baixo, R$ 77,6 milhões na cotação atual. Mas não é, também, uma…

O atacante Dudu fechou, ontem, um acordo de empréstimo para o Al-Duhail, do Qatar. Ele deixa o Palmeiras após cinco anos e meio por 13 milhões de euros — somando o valor do empréstimo e a cláusula de compra. Não é um valor baixo, R$ 77,6 milhões na cotação atual. Mas não é, também, uma quantia alta quando se pensa no principal jogador de um dos clubes mais ricos do país — está longe das dez maiores negociações do mercado da bola atual, por exemplo.

A negociação mostra, porém, que o futebol paulista, que já tem data para voltar, 22 de julho, não segue a mesma. A saída de Dudu só aumenta a fuga de talentos que Corinthians, o próprio Palmeiras, Santos e São Paulo sofreram durante a pandemia. Deixaram seus clubes, também, Pedrinho do Corinthians, Antony do São Paulo e Evandro, que não tinha o mesmo peso dos outros três citados, do Santos. E, pelo menos até agora, o único nome de impacto a entrar é Jô, que chega ao time do Parque São Jorge.

Desfalcadas pelo mercado da bola, as equipes ainda precisam lidar com outro problema: a aparente diminuição de sua força nos bastidores do futebol nacional. O Estado de São Paulo foi o último, entre os que têm times na Série A do Brasileirão, a liberar treinos para os clubes de futebol. Enquanto atletas dos paulistas treinavam de suas casas, times de Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, por exemplo, já estavam em campo.

Justamente por isso, os quatro times se mantiveram em uma união quase inédita com a FPF (Federação Paulista de Futebol). O objetivo era evitar uma volta precoce do futebol e, especialmente, trabalhar contra o reinício do Brasileirão dias depois da final do Estadual. Até agora, não funcionou: ontem, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) confirmou seu calendário que prevê que a decisão do Paulistão e o início do Brasileiro para o mesmo fim de semana, de 8 e 9 de agosto.

O cenário é ainda mais preocupante quando se olha o quanto o principal rival dos paulistas ganhou forças no mesmo período: o Flamengo, atual campeão brasileiro, não perdeu nenhum dos atletas apesar do elenco estrelado, convenceu nos bastidores que prefeitura e governo do Rio de Janeiro autorizassem a volta aos treinos e do Campeonato Carioca quando ele, Flamengo, achou ideal e ainda arquitetou com o governo federal uma mudança nas regras de direitos de TV com potencial para mudar todo o ecossistema de transmissões do futebol — a “MP do Flamengo”, que fez a Globo romper contrato com a Ferj (Federação de Futebol do Rio de Janeiro) para o Carioca e levou a decisão do torneio, de forma inédita, ao YouTube.

Marcello Zambrana, Bruno Ulivieri e Itawi Albuquerque/AGIF

  • Dudu (Palmeiras)

    Para o Al-Duhail (QAT)

    Imagem: Reprodução/Instagram

  • Antony (São Paulo)

    Para o Ajax (HOL)

    Imagem: Rubens Chiri/saopaulofc.net

  • Pedrinho (Corinthians)

    Para o Benfica (POR)

    Imagem: Rodrigo Gazzanel/Ag. Corinthians

  • Vágner Love (Corinthians)

    Para o Kairat (CAZ)

    Imagem: Marcello Zambrana/AGIF

  • Evandro (Santos)

    Sem contrato

    Imagem: UOL

  • Lucas Veríssimo (Santos)

    Imagem: Ivan Storti/Santos FC

  • Jean Mota (Santos)

    Imagem: Divulgação/Site oficial do Santos

  • Raphael Veiga (Palmeiras)

    Imagem: Jales Valquer/FramePhoto/Folhapress

  • Victor Luis (Palmeiras)

    Imagem: Divulgação/Site oficial do Palmeiras

  • Gustavo Scarpa (Palmeiras)

    Imagem: Divulgação/Site oficial do Palmeiras

  • Igor Gomes (São Paulo)

    Imagem: Bruno Ulivieri/AGIF

Bruno Ulivieri/AGIF

O Palmeiras deve ser o que mais vai sentir as mudanças na volta do futebol, em duas semanas. O time perdeu Dudu, o jogador mais antigo do atual elenco, emprestado ao Al-Duhail, do Qatar, antes do clássico contra o Corinthians, na próxima rodada do Paulistão.

O clube não prevê ir ao mercado para suprir a baixa. A ideia da diretoria é dar chance às jovens promessas do elenco, como Gabriel Veron e Luan Silva, que podem atuar na função.

Existe, ainda, a chance de outros três jogadores deixarem o clube: os meias Gustavo Scarpa e Raphael Veiga e o lateral esquerdo Victor Luís. O primeiro despertou interesse de Valladolid e Almería, da Espanha, do Fenerbahçe, da Turquia, e de uma equipe árabe. Veiga, por sua vez, recebeu sondagem de um clube dos Emirados Árabes Unidos. O lateral pode ser emprestado ao Botafogo.

Das saídas, o único considerado titular pelo técnico Vanderlei Luxemburgo é Dudu. Na vitória do Palmeiras por 3 a 1 sobre o Guaraní-PAR, pela Libertadores, em março, o time foi escalado com quatro atacantes: Dudu, Willian, Rony e Luiz Adriano. Além dos garotos, Zé Rafael e Lucas Lima aparecem com chances de ganhar mais tempo de jogo.

Cesar Greco/Palmeiras

Até pelos resultados conquistados no início do ano, Vanderlei Luxemburgo foi o técnico dos paulistas que entrou na pausa do futebol em melhor momento. Nem mesmo o susto dos últimos dias abalou isso: o treinador teve uma crise e precisou ser submetido à cirurgia de vesícula e, dias depois, foi diagnosticado com o novo coronavírus. Por isso, ele se afastou do dia a dia no centro de treinamento. O auxiliar Maurício Copertino desempenhou sua função.

Durante as semanas em que o elenco esteve afastado dos treinos presenciais, Luxemburgo manteve uma relação intensa com os atletas, com participação até em treinos físicos. Ele chegou a passar vídeos de equipes europeias para seus comandados estudarem.

Luxemburgo dirige o Palmeiras pela quinta vez na carreira. No retorno ao clube alviverde, o treinador ajudou o time a conquistar sete vitórias em 12 jogos oficiais, com quatro empates e uma derrota. A equipe é líder do Grupo B da Libertadores, com 100% de aproveitamento em dois compromissos. No Estadual, os palmeirenses brigam com o Santo André pela primeira posição. Ambos têm 19 pontos, mas o clube do ABC fica à frente pelo número de vitórias.

Agência Corinthians

O Corinthians é, até agora, o time que mais sofreu mudanças em seu núcleo de jogo. Pedrinho foi vendido ao Benfica e deveria terminar o Paulistão no clube. A pandemia não deixou. Além disso, Vagner Love rescindiu contrato e vai jogar no Cazaquistão. Em troca, Jô, o craque do último título brasileiro, está de volta — ainda sem a certeza de que poderá jogar o Paulistão.

Mesmo assim, o Corinthians, na visão de dirigentes e comissão técnica, voltará mais forte dentro de campo. Para todos, internamente, a chegada pesa mais do que as saídas. Eles entendem que o camisa 77 é mais decisivo dentro de campo e ainda deve ajudar na evolução de outros jogadores, como o meia Luan.

Apesar de gostar de atuar dentro da área, Jô é mais versátil, se movimenta mais no ataque e dá mais opções ao meias em comparação aos três centroavantes que estavam disponíveis a Tiago Nunes no início de seu trabalho: Love, Gustagol e Boselli — este último é o único remanescente entre os “camisas 9” no elenco que voltou ao trabalho.

Além de Jô, o Corinthians ganhou neste período os “reforços caseiros”: Léo Santos, Ramiro e Danilo Avelar estão recuperados de lesões, enquanto Sidcley contratou até um personal trainer em Vila Velha-ES, onde passou o período de isolamento, para melhorar a preparação. O resultado? Surpreendeu a todos positivamente na volta aos treinos.

Outro que estará à disposição de Tiago Nunes em condições físicas ideais é Yony González. Antes da paralisação, o treinador admitiu que precisou forçar a estreia do colombiano por falta de opções no ataque.

Itawi Albuquerque/AGIF

Daniel Augusto Jr./Agência Corintians

Bastante técnico e tático dentro de campo, elogiado por dirigentes quando foi escolhido para comandar o Corinthians, Tiago Nunes se mostrou perdido em algumas decisões no início do ano. A aposta interna, porém, é que o técnico deve voltar mais adaptado ao clube. Segundo apurou o UOL Esporte, ele aproveitou o período de paralisação para entender melhor a grandeza do time paulista.

A participação de Pedrinho no jogo decisivo que culminou na eliminação precoce do Corinthians na Pré-Libertadores foi o maior exemplo da “dificuldade de adaptação” de Nunes ao Alvinegro. O treinador chegou a dizer em entrevista coletiva que o meia teria que lutar por espaço no time quando retornasse da seleção olímpica, mas bancou o jogador de titular na decisão contra o Guaraní-PAR, sem sequer treinar com os demais companheiros.

Tiago Nunes não chegou a estar ameaçado no cargo por causa de uma característica de Andrés Sanchez: o presidente corintiano tem o perfil de conceder tempo para os seus treinadores trabalharem. Mesmo assim, ele já estava desagradando a cúpula alvinegra em algumas decisões.

Uma delas era a falta de um “time base”. Segundo apurou reportagem, Tiago Nunes prioriza agora a repetição de uma escalação para, enfim, tentar engrenar pelo novo clube. Antes da paralisação, o treinador buscou diversas alternativas e não conseguiu achar um time titular ideal. Ao todo, só repetiu a formação em três momentos, ainda assim com variações entre cada repetição.

Tiago ainda possui aproveitamento considerado ruim após passagem vitoriosa pelo Athletico-PR. Em 12 jogos oficiais realizados, foram apenas três vitórias e 38,8% dos pontos conquistados.

Marcello Zambrana/AGIF

Revelado nas categorias de base do clube, Antony deveria ter terminado o Paulistão no São Paulo. Seria sua despedida da equipe, já que ele havia sido vendido em fevereiro para o Ajax. A pandemia, porém, impediu isso: com os mais de cem dias de futebol parado, o jogador acabou sem datas para se despedir. Ele já se apresentou ao clube holandês, deixando vaga sua posição no elenco são-paulino.

A reposição não é clara. Outro prata da casa, Paulinho Boia foi reintegrado ao time após empréstimo para o São Bento — ele quase foi negociado com o Cruz Azul, do México, mas o negócio não vingou. O mesmo aconteceu com Gonzalo Carneiro, que cumpriu um ano de suspensão por doping.

Outras novidades em relação à equipe que estava sendo utilizada até a paralisação das competições são os atletas que estavam lesionados. O goleiro Tiago Volpi, que havia fraturada a mão direita, por exemplo, já está à disposição de Fernando Diniz.

Essas opções são positivas para o treinador, já que, com o aumento do número de substituições durante as partidas, de três para cinco, e a provável maratona de jogos, o rodízio maior na escalação deve aumentar. Hernanes e Everton devem ganhar mais oportunidades para mostrar serviço nesse novo cenário.

Artilheiro do time na temporada, Daniel Alves continua sendo o destaque tricolor. O camisa 10 está integrado ao restante do elenco em Cotia, neste período de preparação para a retomada das competições. Neste ano, ele entrou em campo em 11 confrontos, marcou cinco gols, deu 34 assistências para finalizações e conseguiu desarmar o adversário em 32 oportunidades.

Marcello Zambrana/AGIF

Se o elenco enfraqueceu sem Antony, Fernando Diniz volta em alta. Depois de ser pressionado entre o fim de 2019 e o início deste ano, a ponto de ver o seu cargo colocado em xeque, o treinador agora é prestigiado. A torcida se encantou pelo “Dinizismo” e os últimos resultados ajudaram a reforçar a imagem do comandante.

O time parou o Paulistão já garantido nas quartas de final e na zona de classificação da Copa Libertadores. A metodologia de trabalho do treinador também é bastante elogiada pelos jogadores, que sempre destacam a importância das conversas individuais no dia a dia do CT da Barra Funda.

No início do ano, quando a equipe era pressionada por marcar poucos gols, o clube fez um vídeo de apoio ao treinador. Após as vitórias convincentes sobre LDU (Libertadores) e Santos (Paulistão), Diniz passou a ser ainda mais bem cotado internamente. Até mesmo nos bastidores do Morumbi, nas discussões sobre a sucessão presidencial, Diniz é elogiado e colocado como provável comandante da equipe em 2021.

Ivan Storti/Santos FC

Na Vila Belmiro, pouca movimentação. O clube não pode inscrever jogadores por causa da punição da Fifa pela dívida com o Hamburgo (ALE) pela compra do zagueiro Cléber Reis em 2017. O Peixe perdeu apenas o meia Evandro, que não teve seu contrato renovado.

A aposta santista é nas categorias de base do clube. Além de Kaio Jorge e Sandry, campeões mundiais sub-17 com a seleção brasileira, o Peixe promoveu os meias Ivonei e Anderson Ceará, que devem ganhar oportunidades com o técnico Jesualdo Ferreira.

O clube não esconde que, além da punição, ainda passa por dificuldades financeiras e não descarta negociar ao menos um de seus principais nomes. O mais cotado é o zagueiro Lucas Veríssimo, alvo frequente dos times europeus. Jean Mota também pode sair em negociação arrastada com o Fortaleza.

Ivan Storti

O técnico Jesualdo Ferreira utilizou a paralisação para estudar o futebol brasileiro. Ele chegou a ver jogos dos últimos 40 anos, tanto da seleção brasileira quanto de clubes nacionais. Uma característica, porém, não pode ser aprendida pelos VTs: o calendário apertado.

Os jogadores ainda não assimilaram toda a filosofia do comandante português e encontram dificuldades na criação de chances de gol. Com o novo calendário pós-paralisação, o tempo de treinamento será ainda menor após 22 de julho. E Jesualdo teme pelo pouco tempo que terá pela frente.

O comandante já foi questionado durante o ano, principalmente pelo torcedor santista que se acostumou a ver o time extremamente ofensivo do antecessor Jorge Sampaoli. Jesualdo não abre mão de um volante mais preso na marcação e cobra os atletas por mais consistência defensiva.

Wagner Meier/Getty Images

Unidos à Federação Paulista de Futebol, Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos ainda têm um aliado importante na luta pelo adiamento do Brasileirão, marcado para voltar no dia 9 de agosto. O governador João Doria já veio a público para afirmar que o Nacional não poderia voltar tão cedo.

No mundo ideal, os presidentes dos quatro grandes do Estado de São Paulo fazem eco com seus respectivos treinadores no discurso que o ideal seria ao menos 30 dias de treinamento antes de a bola voltar a rolar.

A CBF reagiu às primeiras manifestações de Doria e disse ter o apoio dos paulistas, mesmo com a possibilidade de os times precisarem sair de suas cidades para atuar. Os clubes dizem esperar que a FPF consiga negociar uma nova data para o início do Brasileirão, mas até agora não conseguiram muita coisa.

Prova disso é o calendário divulgado pela CBF ontem, que confirma todos os problemas apontados pelos paulistas: início no mesmo fim de semana da final do Paulistão e apenas oito semanas sem partidas previstas para o meio de semana até fevereiro de 2021 — lembrando que esse mesmo calendário não prevê a Libertadores, que deve ser retomada em setembro.

Cada Estado tem um governo e uma forma de conduzir. Eles puderam e decidiram voltar antes e devem estar cumprindo todas as normas de segurança. Mas claro que, pelo tempo de treinamento, eles estão à frente

Luan Peres, zagueiro do Santos

Se o Brasileiro voltar mesmo nos dias 8 ou 9 de agosto, os times que estão há mais tempo treinando estarão à frente. Temos que pensar no nosso, trabalhar bastante no dia a dia e tentar diminuir um pouco essa diferença

Luan Peres, zagueiro do Santos

O que a gente tem que exigir, a partir do início dos treinos, é pelo menos um mês de trabalho. Os jogadores estão há cem dias sem treinar. Não dá para marcar jogo com apenas 15 dias de treino

Fernando Diniz, técnico do São Paulo

Não houve consulta prévia ao governo do Estado de São Paulo, mas temos um bom entendimento com a Federação Paulista (de Futebol). Para realizar esse entendimento, dependemos da manifestação do comitê de saúde do Centro de Contingência da Covid-19, que tem um relator específico para o tema do futebol

João Doria, governador de São Paulo

Não queremos vantagem. Queremos a possibilidade de ter 30 dias para ter uma base física. Já no início da pandemia, minha preocupação é com o ser humana. O futebol não tinha de voltar [antes do tempo], era questão de vida. Não tinha de voltar antes do prazo. Minha preocupação é de os atletas terem uma lesão grave

Vanderlei Luxemburgo, técnico do Palmeiras

Bruno Santos/Folhapress

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