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Plano C, ‘bolão’ da demissão e sombra de Diniz: os 37 dias de Oswaldo no Fluminense

Plano C, ‘bolão’ da demissão e sombra de Diniz: os 37 dias de Oswaldo no Fluminense
Publicado em 27/09/19 17:04 Atualizado em 27/09/19 17:46 Oswaldo de Oliveira: 37 dias no Flu marcados pelo desgaste Foto: Marcelo Régua / Agência O Globo "Vocês estão de sacanagem", "Agora cai" e "Tiro no pé" foram alguns dos comentários feitos pela torcida do Fluminense embaixo do anúncio da chegada de Oswaldo de Oliveira, publicado pelo…

Oswaldo de Oliveira: 37 dias no Flu marcados pelo desgaste Foto: Marcelo Régua / Agência O Globo

“Vocês estão de sacanagem”, “Agora cai” e “Tiro no pé” foram alguns dos comentários feitos pela torcida do Fluminense embaixo do anúncio da chegada de Oswaldo de Oliveira, publicado pelo clube em suas redes sociais no dia 20 de agosto. O que parecia ser só implicância foi um sinal de que a contratação já nascera fadada a não dar certo. E não apenas pela perseguição das arquibancadas.

A diretoria estuda os nomes para substituí-lo. Antes mesmo do jogo contra o Santos, Lisca já estava no radar. Com as saídas de Cuca, do São Paulo, e de Zé Ricardo, do Fortaleza, os dois também entraram na lista. Primeiro a ser sondado, o ex-treinador são-paulino já descartou assumir a missão de livrar o Fluminense da degola.

A terceira passagem de Oswaldo pelo Fluminense durou 37 dias. Antes mesmo do início dessa contagem, já havia indícios de que ela seria curta. Quando demitiu Fernando Diniz, a diretoria tricolor tinha Abel Braga em mente. Embora ele não tenha o hábito de assumir trabalhos no meio da temporada, o vice geral Celso Barros acreditou que a amizade entre os dois pudesse reverter este quadro. Mas não foi o que ocorreu.

Dorival Junior também foi procurado. Somente depois de sua negativa é que os tricolores optaram por Oswaldo. Ou seja: o técnico surgiu como plano C.

— É difícil agradar todo mundo. A escolha do Oswaldo foi consensual. Tínhamos uma lista de 10 nomes. Conversamos com o Abel, sondamos o Dorival… A escolha não é simples — admitiu Barros na entrevista.

Piadas entre os jogadores

Mas ter sido o terceiro de dez nomes esteve longe de ser o maior dos problemas enfrentados por Oswaldo. Dos principais obstáculos, o primeiro a se apresentar foi a sombra de Diniz. Os jogadores viveram um luto pela saída do antigo treinador, conhecido pela filosofia de jogo extremamente ofensiva e de grande valorização da posse de bola. Embora os resultados não fossem bons, tinham a sensação de que jogavam de igual para igual mesmo contra equipes milionárias.

O ressentimento em relação à demissão de Diniz influenciou na avaliação do elenco sobre o trabalho de Oswaldo. Seus treinamentos e suas declarações passaram a ser criticados pelos jogadores em trocas de mensagens. A obsessão por treinar cobranças de lateral e uma entrevista em que ele errou a idade de Ganso renderam piadas entre os atletas.

O descompasso entre Oswaldo e o elenco era tão grande que funcionários do CT já apostavam entre si quando o técnico deixaria o cargo. Nesta espécie de bolão, a partida contra o Corinthians era a mais cotada para consumar sua saída.

Conflito com Ganso na segunda partida

Embora o clima do treinador não fosse bom com o elenco, com nenhum jogador o desgaste foi tão grande como com Paulo Henrique Ganso. Não à toa, os dois bateram boca na frente de todo o Maracanã. Oswaldo não mentia quando dizia que via em Ganso um bom jogador. Mas achava que ele caía de rendimento durante as partidas e não conseguia decidir os jogos em favor do Fluminense. Por isso, o substituía.

— É um jogador de qualidade muito grande. Mas em determinado momento do jogo ele cansa, perde um pouquinho a frequência do jogo. E neste momento… Em algumas oportunidades não aconteceu. Contra o Corinthians (em São Paulo, pela Sul-americana), ele jogou quase o tempo todo. Saiu no finzinho. Contra o Fortaleza, jogou os 90 minutos. Contra o Corinthians, em Brasília, estava muito bem no jogo. No momento em que achei que deveria fazer a substituição eu fiz. Isso é normal. Substituir jogador acontece seis vezes em cada jogo. Numa rodada, são 60 substituições. É um fato corriqueiro no futebol. Tem que acontecer — explicou o técnico depois do jogo desta quinta.

Mas Ganso não entendia como normal. Contra o Avaí, segunda partida sob o comando de Oswaldo, o meia já havia demonstrado insatisfação por ter que sair antes do fim. O empate com o Santos foi a gota d’água. Além de chamar o técnico de “burro pra caral…”, o camisa 10 ainda deu orientações aos companheiros na área técnica, como se fosse ele o treinador. O comportamento inflou a torcida em sua campanha pela cabeça do então comandante.

Ali, já estava claro que não havia mais condições para a permanência do técnico. Sua demissão foi decidida logo após o fim da partida. A reunião da cúpula tricolor na manhã desta sexta foi apenas para acertar os detalhes.

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