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Preparador de goleiras do Corinthians inaugura projeto social em São Paulo; veja detalhes

Preparador de goleiras do Corinthians inaugura projeto social em São Paulo; veja detalhes
Mais que um esporte, o futebol também é uma ferramenta social. É nisso que acredita Edson Júnior, o preparador de goleiras do Corinthians. Com esse pensamento, ele inaugurou o Projeto Social "Ser Goleiro", que atende crianças carentes de São Paulo e oferece apoio socioeducacional à elas.O Projeto atenderá, inicialmente, crianças de dez a 15 anos…

Mais que um esporte, o futebol também é uma ferramenta social. É nisso que acredita Edson Júnior, o preparador de goleiras do Corinthians. Com esse pensamento, ele inaugurou o Projeto Social “Ser Goleiro”, que atende crianças carentes de São Paulo e oferece apoio socioeducacional à elas.

O Projeto atenderá, inicialmente, crianças de dez a 15 anos em São Paulo, e já tem sua primeira turma formada – começa oficialmente em agosto. Em entrevista concedida ao Meu Timão, Edson contou como foi o processo de seleção para as 16 crianças e frisou acreditar no esporte como uma ferramenta social, o que o fez acrescentar no projeto uma espécie de reforço escolar.

“Teve processo de seleção no parque com eles, e dai saíram os 16, que vão iniciar na primeira semana de agosto. Agora são 16 crianças que têm vale transporte, alimentação dentro do projeto, cesta básica, um projeto que é o ‘Defendendo Ideias’, que é como se fosse um reforço escolar… a ideia não é sentar na mesa como se fosse uma sala de aula e receber o reforço, mas a gente vai trabalhar por exemplo produção e interpretação de texto. Ai vamos trabalhar da seguinte maneira: ‘vocês vão fazer entrevistas com as nossas goleiras no final do mês. Como vocês vão perguntar? O que vão perguntar? Qual o material necessário pra entrevista?’. Vão se preparando ao longo do mês, faz a entrevista e a edição, e ai vamos ter suporte da pedagoga e psicóloga pra fazer tudo que precisamos. É uma forma de estimular o pensamento, trabalhar a parte cognitiva delas, tirando um pouco a questão de aula. Selecionamos 16 crianças, até dezembro, e ai a ideia é a partir de janeiro iniciar com 50 alunos, espero chegar nesse número e ver até onde a gente vai ano que vem“, explicou o profissional.

Vamos ter regras pra ter continuidade no projeto. Uma delas é passar de ano com notas boas, vamos estabelecer isso pra eles. E ai se não conseguir, claro que tem o caso a caso. Vai ter o menino que tem mais dificuldade, que precisa do apoio, mas vai ter quem ache que a escola não é o mais importante, e ai, se não é, aqui também não faz muito sentido a criança ficar, porque você só pode estar em um projeto se você entende que a escola é tão importante quanto o projeto, e que no final você vai ser direcionado pra uma faculdade, tem que ser as duas coisas caminhando juntas“, completou.

Thiago Sabino e Edson Júnior são os dois professores do Projeto Social Ser Goleiro

Reprodução/ Instagram

Além de oferecer treino e auxílio educacional, o projeto também dá apoio psicológico aos alunos e fornece luvas, chuteiras, vale transporte e cesta básica. Para ajudar a arcar com os custos, Edson aderiu à ideia do apadrinhamento de atletas, no qual voluntários podem contribuir financeiramente de duas diferentes maneiras.

A ideia é adotar uma criança, doando R$ 225, ou conseguirmos o ’60 amigos de 60 reais’, que é cada um doando R$ 60, pra tocar o projeto. Conseguimos recurso para o primeiro semestre, está super bacana. A gente conseguiu luvas, cesta básica, pra todos… as pessoas foram conhecendo e ajudando. A ideia é que a gente faça isso, ampliar esse ’60 amigos de 60 reais’, vamos ver como vai ser ano que vem com mais crianças. É algo que talvez não pese tanto pras pessoas e que elas sabem que vão ajudar outras crianças a irem atrás dos sonhos”, pontuou Edson.

Temos esse custo porque a gente dá vale transporte, que é algo importante, a gente vai trabalhar com o ‘Defendendo Ideia’, precisa de material e recurso… computar, câmera, enfim, tudo que for necessário a gente quer dar. Tem o custo dos professores, porque é difícil manter professor em projeto social e principalmente professor bom, porque ele vai ter outras oportunidades no mercado, e quero alguém que se identifique com o projeto e que eu consiga fidelizar, porque é muito chato a gente começar algo e em três meses trocar professor, daqui um ano trocar de novo. É um custo que não é tão alto, mas é pra fazer uma coisa bem bacana“, detalhou.

Apesar de ter uma faixa etária “restrita” nesses primeiros passos, o projeto deve abraçar crianças e adolescentes até os 18 anos em breve. Reconhecendo que nem todos os participantes devem se tornar goleiros profissionais e pensando na formação de cidadãos, o objetivo é que cada participante conclua seu ciclo no Ser Goleiro e ingresse diretamente em uma faculdade, com bolsa fornecida em uma parceria.

A ideia que eu tenho é terminar o ciclo com 18 anos, quando ele completa 18 anos quero ter uma parceria de uma faculdade pra entregar ele pra essa faculdade com algumas bolsas. Entrego o aluno do projeto social, depois de anos, pra finalizar seu ciclo dentro de uma faculdade. Essa é a ideia, a gente já está conversando com umas faculdades, entendemos que é algo que não é tão difícil de conseguir, dá pra realizar. Porque a maioria dos nosso goleiros não vão se tornar goleiros profissionais, então a gente quer formar eles pra vida, formar cidadãos. Pegamos crianças que talvez não tenham recursos nenhum, que tenham a parte cognitiva pouco desenvolvida, e a gente quer trabalhar pra essa criança se tornar uma grande pessoa. Teremos dez crianças em cada categoria e ai finalizar o ano entregando esses dez pra faculdade e recrutar mais dez no ano seguinte”, projetou Edson.

E a vida com o Corinthians?

Edson é preparador de goleiras do Corinthians desde 2016, quando o clube retomou seu time na modalidade. Agora, o Projeto Social Ser Goleiro chega para agregar e funciona de maneira paralela à vida do profissional. Ele reconhece que precisa se dedicar de maneira integral ao clube e, por isso, contou como montou a estrutura de treinos e sua rotina.

Eu montei uma estrutura totalmente independente da minha presença. Estou no Corinthians e isso exige que eu me dedique 100% ao Corinthians. Minha agenda no projeto é nos dias de folga, nos finais de semana… Por exemplo, se jogamos no domingo, treinamos de manhã e ai à tarde eu vou pro projeto. Por isso falei que preciso do professor que se identifique com o projeto e faça as coisas acontecerem. Eu vou direcionar a parte técnica, cuidar dessa parte, como vou fazer com o garoto que está incitando, o que já tem alguma qualidade e como vai ser com o garoto avançado. O professor que vai pro projeto é o mesmo que está na minha academia de goleiros. Na academia tenho horário que não bate com o Corinthians, que é pele manhã”, disse o profissional.

Geralmente entro no Corinthians às 10h/11h, então meu projeto vai ali até 9h, 9h30 e eu consigo chegar no Corinthians. Ele (o professor Thiago) estando lá, conseguimos ajustar a academia. Uma coisa que é muito importante e ai eu digo que ele vai ser meus olhos no projeto, é meu pai. Ele que vai montar estrutura, fazer acontecer. O pensamento é parecido, ele sabe do que eu preciso, como eu quero que funcione, ele tem esse perfil de ser mais ‘chato’, de querer o certo, ensinar… ele foi a pessoa que falou pra mim ‘eu não tenho nada pra te dar, mas você vai estudar. se vira, vai buscar, isso eu vou te cobrar’. Então ele vai me ajudar nesse sentido e eu vou direcionar todos os passos do projeto, em termos de patrocínio, atividades que vamos fazer“, completou logo em seguida.

Edson contou, ainda, que pretende criar alguns laços entre seu projeto social e o futebol profissional. A ideia é que mensalmente alguns goleiros e goleiras possam se apresentar e contar suas experiências às crianças, servindo e exemplo.

Eu tenho a ideia de uma vez por mês ter um bate papo com goleiro, levar uma goleira, conversar com o pessoal, temos ai uma certa liberdade de eles irem lá, conversar e conhecer a criançada, bater um papo com eles. Nossa vida no futebol traz muitas histórias, muitas boas e umas ruins, então conseguimos passar isso pras crianças pra elas enxergarem o quão difícil é a gente conquistar algo nas nossas vidas, que nada vem de graça. Estamos dando apoio e suporte para elas se desenvolverem, mas vão ter que correr atrás do colégio, melhorar dentro do projeto, tem essas tarefas do mês pra fazer acontecer, e uma coisa vai puxando a outra. A gente dá o suporte e eles trazem o resultado que você precisa“, finalizou.

Edson é responsável por treinar as goleiras do time profissional do Corinthians

Rodrigo Gazzanel/Ag. Corinthians

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