CARLOS AUGUSTO

PVC | Melhor versão do Brasileiro está nas ligas europeias

PVC | Melhor versão do Brasileiro está nas ligas europeias
O início dos campeonatos nacionais da Espanha e da Inglaterra, neste final de semana, escancara a nossa miséria. Ainda antes do fim da janela de transferências, a conta inclui 21 brasileiros na primeira divisão espanhola e 24 na Premier League. O Campeonato Brasileiro mal completou um mês, na terça-feira (8), e já foram vendidos para…

O início dos campeonatos nacionais da Espanha e da Inglaterra, neste final de semana, escancara a nossa miséria. Ainda antes do fim da janela de transferências, a conta inclui 21 brasileiros na primeira divisão espanhola e 24 na Premier League.

O Campeonato Brasileiro mal completou um mês, na terça-feira (8), e já foram vendidos para o exterior 16 jogadores que começaram a temporada nacional.

Há negócios de todos os tipos. Revelações, como Lucas Silva, do Flamengo, transferido para o Portimonense (POR), onde terá mais chance de jogar, ou consagrados, também na Gávea, como Rafinha, que preferiu o Olympiacos (GRE).

Alguns que treinaram toda a semana e foram embora dois dias antes da estreia no Brasileiro, como o lateral Adriano, ex-Athletico, agora no Kas Eupen (BEL) ou Carlos Augusto, do Corinthians, negociado com o Monza (ITA) depois da final do Paulista, ou seja, após o início temporada nacional.

No ano passado, 57 atletas começaram o torneio mais importante do país e foram embora antes do seu término. Cinco times inteiros! Some a isso as trocas de técnicos e o resumo será um campeonato disputado por 20 clubes e quase nenhuma equipe.

Normalmente, quando LaLiga e a Premier League começam, o Brasileiro já está perto do fim do primeiro turno. No ano passado, por causa da paralisação para a Copa América, os espanhóis deram o pontapé inicial quando o Brasil estava na 13ª rodada.

O que sempre nos provocou a certeza de que inverter o calendário e adaptá-lo ao europeu diminuirá o impacto dos negócios no Brasileiro. As vendas continuarão, mas haverá menos desfalques nos elencos, porque as janelas se abrirão antes da primeira rodada.

O caso mais grave da semana aconteceu no Fluminense. Sem poder de veto ou de opinião, o clube precisou abrir mão de seu vice-artilheiro do ano, o atacante Evanilson, 20.

Antes orgulhoso dos vitrais de sua sede em Laranjeiras, o Flu ficou com 10% da venda e 20% de direito de vitrine pela exposição de um atleta que pertence, majoritariamente, a um grupo de empresários.

“Se houve falha, foi antes da nossa chegada”, disse o presidente Mario Bittencourt, eximindo de culpa a sua própria gestão. O Fluminense caiu dos vitrais para as vitrines. Estava invicto havia quatro partidas quando perdeu Evanilson e foi derrotado nos dois jogos seguintes, contra São Paulo e Flamengo.

O técnico Odair Hellmann alertou a diretoria que a transferência muda completamente o jeito de jogar. Fred, contratado para ser titular, não pressiona a saída de bola, porque não tem o fôlego do garoto, agora do Porto.

É quase um milagre que o Brasileiro mantenha mais interesse aqui do que os nacionais da Europa. Só o que explica o fenômeno é a força das camisas e a popularidade de Flamengo, Corinthians, São Paulo, Palmeiras, Vasco, Santos, Internacional, Grêmio, Bahia, Atlético-MG, Cruzeiro…

Dá para discutir se os melhores times do mundo dependem dos talentos brasileiros, porque temos menos protagonistas do que há uma década. Mas o Liverpool tem Firmino, Alisson e Fabinho, o Manchester City escala Ederson, Gabriel Jesus e Fernandinho, o Real Madrid aposta no futuro de Vinicius Junior e Rodrygo, o Atlético de Madrid tem o lateral Renan Lodi. Há mais brasileiros nos mata-matas da Champions League que qualquer outra nacionalidade. Só os franceses, de incrível produção, equilibram a equação.

A Espanha tem o melhor “Gauchão” do mundo e neste final de semana vai começar o melhor Brasileiro do planeta. Na Europa.

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