TORCIDA

Quanto custa ser torcedor do seu time? Confira ranking

Quanto custa ser torcedor do seu time? Confira ranking
Alexandre Silva Gomes conta orgulhoso que tem um cavalinho original do “Fantástico”. Ele descobriu o contato do responsável pelos fantoches do programa de TV e fez a encomenda. Pagou R$ 160, uma pechincha para o empresário de 38 anos, que somou seus gastos mensais com o Vasco por mês e descobriu que destina cerca de…

Alexandre Silva Gomes conta orgulhoso que tem um cavalinho original do “Fantástico”. Ele descobriu o contato do responsável pelos fantoches do programa de TV e fez a encomenda. Pagou R$ 160, uma pechincha para o empresário de 38 anos, que somou seus gastos mensais com o Vasco por mês e descobriu que destina cerca de R$ 990 por paixão.

— Minha mulher vai me largar depois dessa reportagem, hein — brinca.

Longe do apartamento de Alexandre, na Barra da Tijuca, Marcelo Davidovich, advogado, 57 anos, atende os clientes no Centro numa sala de reuniões em que o copo com escudo do Botafogo na mesa é a única pista de sua paixão. Ele sorri, ao ser perguntado quanto gasta com o Alvinegro por mês. Após os cálculos, chega a R$ 1.550.

— Fizemos a conta por baixo. É mais — afirma.

Os dois são pontos fora da curva de torcedores engajados economicamente aos clubes. Pessoas que convertem a paixão clubística em compras das mais variadas — assinatura do pacote de jogos na TV, mensalidade como sócio, bilheteria, produtos oficiais.

Além do evidente consumismo que move esses torcedores, existe a sensação de estar efetivamente ajudando a instituição. Esse é o principal apelo que os departamentos de marketing fazem na tentativa de convencer mais torcedores a assumirem novos gastos mensais. Com alguns, funciona.

— Só a torcida do Vasco pode tirar o clube dessa situação em que está. Não tem jeito — diz Alexandre.

O aumento do abismo financeiro entre alguns clubes do Brasil nos últimos anos faz com que aqueles fãs com maior poder aquisitivo gastem mais do que precisam, conscientemente. Davidovich paga a mensalidade de sócio-torcedor para alvinegros menos abastados e afirma comprar mais de 30 peças da coleção anual do Botafogo, incluindo uniformes de jogo, de treino, de viagem e o que mais o clube lançar. Muitas delas são doadas em seguida.

O preço de torcer para o seu time no Brasil Foto: Editoria de Arte

— Ser Botafogo é quase como estar numa confraria. Não quero que o clube acabe. Não sou um Moreira Salles (família ligada ao Itaú/Unibanco, que pretende reorganizar o futebol do clube), mas ajudo como posso.

Mas não é preciso gastar como Alexandre ou Marcelo. Os clubes já entenderam que o desejo de contribuir de alguma forma existe em qualquer classe social.

Entre os clubes da Série A, o Palmeiras é o que tem maior diferença entre gasto máximo e mínimo, se for levado em consideração um engajamento padrão — compra dos jogos pela TV, plano de sócio torcedor e compra de uma camisa oficial por ano.

O preço de torcer para o seu time no Brasil Foto: Editoria de Arte

Outros apostam nos custos mais baixos. Clubes com forte entrada nas camadas mais populares, como Vasco, Internacional e Atlético-MG, tentam seduzir os torcedores dessa forma.

O Inter tem a mais barata versão de camisa oficial da Série A (R$ 129,90), o que evita perder uma maior parcela da torcida para a a pirataria. Já o Flamengo confia no engajamento de sua torcida, a maior do país.

— Acho que a torcida do Flamengo entende bem qual é a participação dela no futuro e na grandeza do clube — salienta Maurício Portela, diretor de marketing. É com base nessa confiança que a nova esperança do rubro-negro (e de outros clubes) para gerar receita às custas da torcida é a parceria com bancos digitais, como o BS2 (Flamengo), o BMG (Vasco, Corinthians e Atlético-MG) e Digi+ (Cruzeiro e Athletico-PR.

O movimento começou com a parceria do Banco Inter com o São Paulo, em 2017. Segundo Priscila Salles, diretora de marketing da empresa, atualmente quase 10% dos correntistas são vinculados de algum modo ao clube, que recebe 50% do lucro gerado nas movimentações das contas.

— Conversamos com vários clubes desde 2018. Estamos satisfeitos com o São Paulo e queremos ampliar.

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