BRASILEIRÃO

Raio X alviverde – O Palmeiras até agora no Brasileirão

Raio X alviverde – O Palmeiras até agora no Brasileirão
Por PAULO EGREJA Após 9 rodadas do campeonato brasileiro, o Palmeiras está na quarta colocação com 16 pontos, e um jogo a menos que São Paulo, Flamengo e Internacional, adversários logo acima na tabela.Com o jogo adiado contra o Vasco ainda por fazer, disputou até agora 8 partidas, 3 em casa e 5 fora, conquistando…

Por PAULO EGREJA

Após 9 rodadas do campeonato brasileiro, o Palmeiras está na quarta colocação com 16 pontos, e um jogo a menos que São Paulo, Flamengo e Internacional, adversários logo acima na tabela.

Com o jogo adiado contra o Vasco ainda por fazer, disputou até agora 8 partidas, 3 em casa e 5 fora, conquistando 4 vitórias e 4 empates, aproveitamento de 66,67%, mantendo-se como único time ainda invicto na competição. Da estreia contra o Fluminense, no dia 12 de agosto, ao derby de quinta, se passaram 29 dias, ou seja, média de 1 jogo a cada 3,6 dias.

A defesa palmeirense é a 3ª melhor no torneio, com 6 gols sofridos; destaque para a excelente fase de Gustavo Gómez, sem dúvida um dos melhores zagueiros do campeonato. Apesar de ter levado gols em 6 dos 8 jogos disputados, não permitiu que nenhum adversário marcasse mais de uma vez, e passou em branco nas vitórias sobre Athletico e Corinthians.

No ataque, até agora foram 11 gols marcados: 2 de pênalti, 3 de cabeça, 5 dentro da área e 1 fora da área; 4 no primeiro tempo e 7 no segundo. Luiz Adriano é o artilheiro do time, com 4 gols. A equipe marcou em todas as partidas, mas só conseguiu impor 2 ou mais gols de diferença sobre o adversário uma vez, justamente no derby da quinta-feira. O clássico contra o Corinthians também foi a primeira partida em que o Palmeiras finalizou mais de 5 vezes em direção ao gol, com 8 finalizações à meta de Cássio. A criação de jogadas tem sido um dos maiores problemas do time de Luxemburgo, com destaque negativo para os empates contra Fluminense e Internacional, em que o Palmeiras chutou apenas uma única vez em direção ao gol.

Dos 16 pontos conquistados até agora, 7 vieram na bacia das almas com gols nos últimos minutos; venceu o Athletico com Veiga aos 47 do segundo tempo, empatou com o Internacional com Luiz Adriano aos 49 e venceu o Bragantino com Willian, também aos 49. É lógico que o “se” não entra em campo, mas se esses gols nos minutos finais, que, convenhamos, contam muito com o fator sorte, não tivessem saído, o Palmeiras estaria com a mesma pontuação do Grêmio, décimo colocado. A pergunta é: esse tipo de gol salvador continuará saindo toda vez que o Palmeiras fizer uma má atuação? Em mata-mata, já vimos esse tipo de coisa acontecer, mas nunca em 38 rodadas.

Na média, o time divide a posse de bola com os adversários. Somente duas vezes o Palmeiras terminou o jogo com mais de 60% de posse, no empate contra o Goiás e na vitória sobre o Bragantino, muito pela postura do treinador, e o último clássico é um bom exemplo: mesmo contra um Corinthians perdido em campo, o Palmeiras terminou com menos posse de bola, 45%.

No auge, Luxemburgo cunhou a frase “medo de perder tira a vontade de ganhar”, mas hoje já não a coloca em prática, mais conservador. Isso não é uma crítica, mas uma constatação; com um tempo inteiro pela frente, contra o maior rival em crise e com um jogador a menos, o Luxemburgo de 15 anos atrás provavelmente tornaria sua equipe mais ofensiva e iria atrás da goleada. Ontem, no entanto, preferiu fazer o simples e se satisfez com o 2 a 0. Independente do seu discurso, Luxemburgo tem feito um trabalho claramente focado no resultado, recuando após marcar o gol, sem dominar o adversário, optando muitas vezes pelo contra-ataque

Falando sobre o treinador, seu grande mérito até o momento é a aposta nos meninos da base. Gabriel Menino é o jogador alviverde que mais finaliza à gol, e é extremamente regular tanto no meio quanto na lateral; Patrick De Paula é o novo xodó da torcida, dono do meio de campo, 5ª jogador que mais desarma no campeonato e já decidiu um clássico, com o belo gol contra o Santos. Isso sem contar Verón, que tirou do bolso uma virada contra o Bragantino, com um gol e uma assistência.

Como crítica, o futebol irregular da equipe. O treinador tem alternado formações em busca da ideal, que parece ainda não ter encontrado, e, inteligente que é, se beneficia muito das 5 substituições, que permitem que se troque meio time durante o jogo, principalmente considerando o elenco do Palmeiras, com muitos jogadores de mesmo nível. O elenco farto segue sendo o trunfo do time, com vitórias muitas vezes conquistadas mais pelo talento individual do que a atuação coletiva.

Se resumirmos a campanha palmeirense, o time fez três primeiras rodadas sofríveis; depois a boa atuação contra o Santos, que deu esperança para a torcida. Então vieram os jogos contra Bahia, Inter e Bragantino, mais três decepções, até o derby, outra boa atuação, e novamente a torcida está empolgada com o possível início de uma arrancada.

Se quer acabar com a desconfiança sobre seu trabalho, Luxemburgo precisa urgentemente resolver o maior problema do time, essa irregularidade ofensiva que beira a inoperância, independente do estilo que decida adotar. Comparando, o time de Felipão era uma retranca com casquinha do Deyverson e bola no Dudu, mas o time tinha uma cara, sabia o que queria fazer em campo e, dentro desse estilo, jogava bem. Após 8 rodadas, o Palmeiras tem mais resultados do que futebol, e essa é uma combinação difícil de se manter em pontos corridos. Segurança e confiança, após vencer o maior rival fora de casa, Luxemburgo tem. Cabe agora mostrar que ainda consegue fazer um time “bater campeão”.

Fonte