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Renato M. Prado | Final do Paulista não vale muito, mas perder é ruim

Renato M. Prado | Final do Paulista não vale muito, mas perder é ruim
Campeonatos estaduais, faz tempo, são "Me engana que eu gosto". O Paulistinha, ainda que o mais forte deles, não foge à regra. Mas ganhar um título é sempre bom para alegrar a torcida e elevar o moral para as competições mais fortes e importantes. Até porque, perder pode causar revolta e protestos, por vezes, até…

Campeonatos estaduais, faz tempo, são “Me engana que eu gosto”. O Paulistinha, ainda que o mais forte deles, não foge à regra. Mas ganhar um título é sempre bom para alegrar a torcida e elevar o moral para as competições mais fortes e importantes. Até porque, perder pode causar revolta e protestos, por vezes, até a demissão do treinador. Daí a importância destas finais para Corinthians e Palmeiras.

Os dois dérbis decisivos, de certa forma, podem salvar um torneio prejudicadíssimo pela pandemia, com vários times sendo desmontados durante a longa paralisação. Mas, seja qual for o campeão, que ninguém se iluda. O que permitirá que se avalie o potencial verdadeiro dos finalistas (e também de São Paulo e Santos) será mesmo o Brasileiro que, para ambos, já começará com um adiamento da primeira rodada.

O primeiro tempo do Palmeiras, contra a Ponte Preta, foi seu melhor momento desde a interrupção do torneio. Os jovens volantes Patrick de Paula e Gabriel Menino, escalados juntos pela segunda vez como titulares, foram os maiores destaques do time de Vanderlei Luxemburgo.

Menino deu ótimos passes que deixaram os companheiros na cara do gol e concluiu, ele próprio, várias vezes. Patrick, mais recuado, marcou o gol da vitória, em chute de fora da área que desviou no zagueiro e enganou o ótimo goleiro Ivan.

Pelo que fez na semifinal a dupla parece ter acabado com as dúvidas do treinador no meio-campo, deixando nomes bem mais badalados, como Lucas Lima, Gustavo Scarpa, Zé Rafael e Bruno Henrique, definitivamente, no banco.

O Corinthians também teve na sua semifinal, contra o Mirassol, a melhor atuação pós-paralisação – Ederson, a boa novidade do grupo, marcou mais um gol decisivo e ganhou de vez a condição de titular, transformando-se rapidamente em um dos mais importantes nomes do elenco.

O grande diferencial do time, porém, continua sendo Cássio. E a tão esperada mudança para um estilo de jogo ofensivo e vistoso, razão principal da contratação de Tiago Nunes, acabou, ao menos momentaneamente, abandonada em prol do retorno de uma tática, digamos, mais cuidadosa, no estilo de seu antecessor Fábio Carille. Ressalte-se, a defesa corintiana não sofreu um gol sequer, desde que a bola voltou a rolar depois da paralisação.

Numa análise mais rigorosa, entretanto, fica evidente que nem o Palmeiras, nem o Corinthians estão prontos. Longe disso. Enfrentaram adversários muito mais fracos e encontraram sérias dificuldades para superá-los. E se no Verdão o elenco oferece muitas opções (mesmo após a saída de Dudu, ainda é dos mais fortes no país), no Timão a conta é a do chá.

Apesar disso, o Corinthians pode conquistar o tão sonhado tetra paulista? Pode, embora o favoritismo esteja claramente do outro lado. Mas, é bom lembrar, também estava no último dérbi e o triunfo foi corintiano, com grande atuação de Cássio e falha de Weverton. A diferença é que agora serão dois jogos, o que em tese diminui a chance de o mais fraco levar vantagem. Em compensação, o histórico recente do duelo é preocupante para os palmeirenses.

Ganhar o estadual (qualquer um), insisto, não diz nada em relação ao futuro no restante da temporada. Mas perdê-lo pode causar contratempos e, dependendo dos resultados, chuvas e trovoadas. Vanderlei Luxemburgo (sobre quem recai a maior responsabilidade destas finais) e Tiago Nunes (que já estava ameaçado quando a bola parou de rolar) que se cuidem. Tomara que sejam capazes de fazer destes dois jogos espetáculos agradáveis de se ver – algo que ainda não se viu neste Paulistinha.

A culpa é do português?

Imerso em grave crise financeira, que causa atrasos de salários e possibilita que os jogadores entrem na Justiça, pleiteando suas liberações, o Santos discute a demissão de Jesualdo Ferreira e a possível contratação de Cuca. Como podem culpar o técnico português pelo caos que se instalou no departamento de futebol? De onde vão tirar o dinheiro para pagar seus salários atrasados e sua multa rescisória? Essa diretoria é, sem dúvida, uma das mais desastrosas da gloriosa história do clube da Vila Belmiro. E Cuca, se aceitar, estará entrando em uma roubada monumental.

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