TORCIDA

Sancionada por Bolsonaro | Associação repudia lei que pune organizadas e prevê protestos

Sancionada por Bolsonaro | Associação repudia lei que pune organizadas e prevê protestos
A Associação Nacional das Torcidas Organizadas (Anatorg) prevê que seus membros passem a protestar contra a lei 13.912, sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro hoje (26), que endurece a punição a organizadas com associados envolvidos em episódios de violência.A lei, proposta pelo deputado André Moura (PSC-SE) e aprovada na Câmara e no Senado, altera o Estatuto…

A Associação Nacional das Torcidas Organizadas (Anatorg) prevê que seus membros passem a protestar contra a lei 13.912, sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro hoje (26), que endurece a punição a organizadas com associados envolvidos em episódios de violência.

A lei, proposta pelo deputado André Moura (PSC-SE) e aprovada na Câmara e no Senado, altera o Estatuto do Torcedor. Agora uma torcida pode ser suspensa por até cinco anos – a punição máxima antes era três anos.

“Uma medida como essa que pune exclusivamente as instituições e não os atos arbitrários é totalmente sem pé e nem medida, não tem cabimento”, protestou o corintiano Alex Minduim, presidente da Anatorg. “As torcidas organizadas não têm poder de controle sobre todos os associados, haja vista a quantidade de membros de algumas delas. Tem torcida com 105 mil membros. Como ela pode responder pelo ato indevido de um indivíduo?”

A associação argumenta que a lei é mais um passo no processo que ela chama de “criminalização das torcidas” e defende que medidas como essa não são capazes de atenuar a violência no futebol. As torcidas também reclamam de não terem sido ouvidas durante a tramitação da proposta.

“Defendemos que esse indivíduo [envolvido em atos de violência] seja identificado e punido no rigor da lei, e não a instituição”, afirmou Minduim. “A instituição está posta pra fazer uma série de trabalhos que envolvem a comunidade local, a sociedade, o clube de sua paixão e a festa nas arquibancadas.”

Além de aumentar o tempo previsto para suspensão de uma torcida, a nova redação do estatuto apresenta um artigo que permite punir as instituições mesmo por atos que aconteçam em dias que não haja jogos ou longe do local das competições. A intenção seria coibir episódios como invasões a centros de treinamentos e brigas em bairros distantes dos estádios, que têm se tornado comuns em São Paulo, por exemplo.

“A redação do artigo 39-C torna cristalina a possibilidade de aplicação das penalidades às torcidas em qualquer episódio de violência ou de vandalismo em que estejam envolvidos seus integrantes”, afirmou o deputado André Moura à Agência Senado.

Minduim, por outro lado, considera que a proibição da existência das torcidas possa tornar ainda mais difícil identificar torcedores violentos, que ele chama de “infiltrados”. “A solução para o problema da violência passa por punir o CPF e não o CNPJ.”

“A Anatorg fará uma nota de repúdio contra essa medida do presidente, convocará uma audiência pública na Câmara e acionará todas suas torcidas filiadas. Vamos expor o nosso descontentamento na Câmara e nas arquibancadas”, afirmou.

Fonte