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#TBT: o embrião da Democracia Corintiana nas páginas de PLACAR

#TBT: o embrião da Democracia Corintiana nas páginas de PLACAR
Capa da revista Placar, edição 620, 09 de abril de 1982. Reprodução/Placar Publicidade Esporte e política não se misturam? Historicamente, os fatos desmentem tal afirmação. No último fim de semana, protestos liderados por torcedores organizados, sobretudo aqueles ligados ao Corinthians em São Paulo, foram às ruas de capitais brasileiras clamar por democracia – manifestações estas que,…
Capa da revista Placar, edição 620, 09 de abril de 1982. Reprodução/Placar

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Esporte e política não se misturam? Historicamente, os fatos desmentem tal afirmação. No último fim de semana, protestos liderados por torcedores organizados, sobretudo aqueles ligados ao Corinthians em São Paulo, foram às ruas de capitais brasileiras clamar por democracia – manifestações estas que, infelizmente, acabaram em confrontos com apoiadores do governo de Jair Bolsonaro e com a polícia. O episódio fez lembrar um importante capítulo da história alvinegra, a Democracia Corintiana, cujos primórdios apareceram em uma edição de novembro de 1981 de PLACAR.

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A reportagem assinada pelo jornalista José Maria de Aquino narrava a chegada de Adílson Monteiro Alves ao posto de diretor de futebol do clube, em um período de crise do alvinegro. Aos 34 anos, o estudante de sociologia encontrou no meio-campista Sócrates o parceiro ideal para montar um time memorável e fincar bandeira em outras pautas da sociedade. “Os problemas não podem ser levados para casa. O grupo deve resolvê-los aqui no clube, conversando, discutindo e até brigando”, narrou Adílson. O nome Democracia Corintiana só seria criado meses depois, pelo publicitário Washington Olivetto.

“Estou transmitindo a eles que não temos de aceitar a vida tal como se apresenta. Devemos questioná-la, discutir. Mudar, se for preciso. Foi assim que o povo brasileiro conseguiu abertura. E é assim que o Corinthians pode tornar-se um time espiritual e financeiramente mais forte que o São Paulo e o Flamengo, por exemplo. Somos potencialmente mais ricos do que eles”, declarou Adilson.

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O Brasil ainda vivia sob a ditadura militar quando os atletas corintianos reivindicaram maior poder em decisões importantes, como contratações, idas à concentração, premiações, etc. Sócrates era um dos líderes do carismático movimento, assim como Wladimir e o jovem Casagrande, numa época de sucesso do time também dentro de campo. O movimento ideológico foi crescendo e o Corinthians passou a ser um símbolo da luta em favor da democracia no país. 

Atualmente, o cargo de diretor de futebol do clube paulista é ocupado por Duílio Monteiro Alves, filho de Adilson, que chegou a manifestar apoio ao protesto levado às ruas pela torcida corintiana e disse que a “democracia é inegociável”. “Aqui vai minha opinião pessoal e não a do Corinthians: da Fiel eu espero tudo, menos o silêncio. Briga por democracia é sempre bem-vinda, saudável”, afirmou Duílio ao portal Globoesporte.com.

Adilson: “Vamos superar o São Paulo e o Flamengo” Reprodução/Placar

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