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Tostão | Maneira de jogar do Fla não tem nenhum rótulo

Tostão | Maneira de jogar do Fla não tem nenhum rótulo
O Flamengo, pela vantagem de dois gols, sem ter sofrido nenhum em casa, por ser a equipe que tem jogado o melhor futebol no Brasil e por ter um treinador criativo, ousado, que utiliza bem as opções táticas e o elenco, é o favorito contra o Inter para chegar à semifinal da Libertadores. O Inter…

O Flamengo, pela vantagem de dois gols, sem ter sofrido nenhum em casa, por ser a equipe que tem jogado o melhor futebol no Brasil e por ter um treinador criativo, ousado, que utiliza bem as opções táticas e o elenco, é o favorito contra o Inter para chegar à semifinal da Libertadores.

O Inter vai manter a formação tática, mas, certamente, vai tentar pressionar desde o início quem estiver com a bola para recuperá-la rapidamente e ficar mais perto de fazer o primeiro gol, o que incendiaria o Beira-Rio. Mas, se levar um, praticamente acaba o confronto, pois teria de fazer quatro. Terá de correr riscos.

Tudo é incerto, ainda mais que o Inter costuma se agigantar em casa.

Em uma única partida, em um lance inesperado, o Flamengo pode ser eliminado, o que, no mínimo, abalaria o encanto do técnico, dos jogadores e da equipe.

A bióloga e neurocientista Suzana Herculano-Houzel escreveu que ser inteligente é ser flexível, ter o entendimento de que as coisas mudam e que o que funcionou bem ontem pode não funcionar bem hoje. Não confundir com casuísmos, jeitinho brasileiro.

A flexibilidade é importante para os técnicos e uma das características e virtudes de Jorge Jesus. A maneira de jogar do Flamengo não é enquadrada em nenhum rótulo. Porém, se o time for eliminado, o treinador será criticado por insensatez e chamado de Professor Pardal.

Jesus está empolgado com o Brasileiro, com a qualidade das equipes, com tantos bons jogadores, com a festa da torcida do Flamengo e de outros clubes, com o bom público presente e com a emoção das partidas.

Jorge Jesus não compreende porque a CBF, ao dar altos prêmios aos primeiros colocados, prioriza tanto a Copa do Brasil, em detrimento do Brasileiro. Na Europa, é diferente. Os principais times, como tem feito o Flamengo, poupam uns três ou quatro jogadores a cada partida, mas nunca escalam todos os reservas. É uma das razões de o Flamengo ser o líder.

Além dos interesses financeiros, muitos treinadores priorizam a Copa do Brasil porque é mais fácil ganhá-la e mais simples organizar uma estratégia em jogos mata-mata do que em um campeonato por pontos corridos. Os técnicos jogam com segurança, não arriscam e apostam na vitória por detalhes. É a associação da preguiça mental com a incompetência e o utilitarismo.

Temos de valorizar as boas partidas do Brasileiro, algumas jovens promessas, porém sem oba-oba e sem ilusões. Há também muita coisa ruim. É vergonhoso o desrespeito, o tumulto e as rodinhas dos jogadores em volta dos árbitros, com a conivência dos treinadores.

A maioria dos atletas que brilham no Brasileiro atuou na Europa, geralmente em equipes pequenas ou médias, e voltou porque não teve oportunidades em grandes times e também porque no Brasil ganha salários altíssimos, mesmo em clubes em péssimas condições financeiras.

Evidentemente, nem sempre é necessário um jogador passar por um teste de qualidade na Europa para ser um excelente atleta e ser convocado para a seleção. Everton, do Grêmio, foi um dos destaques da Copa América. Daniel Alves e Filipe Luís foram titulares no torneio.

O Brasil continua produzindo ótimas promessas. No primeiro gol do Vasco, contra o São Paulo, o domínio da bola com a perna direita do jovem Talles Magno, 17, em um pequeno espaço, cercado por várias pernas, seguido imediatamente de um toque preciso, de perna esquerda, no canto, foi belíssimo.

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