CARLOS AUGUSTO

Witzel pretende acabar com atendimento ao público da Polícia Civil do Rio

Witzel pretende acabar com atendimento ao público da Polícia Civil do Rio
Governador deseja que agentes da PM fiquem encarregados pela função Matheus Maciel 02/08/2019 - 04:30 / Atualizado em 02/08/2019 - 07:49 Wilson Witzel volta a defender o fim do atendimento ao público por parte da Polícia Civil do Rio Foto: Marcelo Regua / Agência O Globo RIO — O governador Wilson Witzel voltou a defender…

Governador deseja que agentes da PM fiquem encarregados pela função

Matheus Maciel

02/08/2019 – 04:30
/ Atualizado em 02/08/2019 – 07:49

Wilson Witzel volta a defender o fim do atendimento ao público por parte da Polícia Civil do Rio Foto: Marcelo Regua / Agência O Globo

RIO — O governador Wilson Witzel voltou a defender o fim do atendimento ao público por parte da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Witzel frisou que deseja direcionar os esforços das equipes para a parte investigativa e reforçar o contato com a população através da Polícia Militar nas ruas. Em um vídeo no Palácio Guanabara, ele faz menção a informação divulgada nesta quinta-feira pela colunista Berenice Seara.

— A Polícia Civil precisa ter independência e evoluir, no meu pensamento. Tem de trabalhar com a investigação e o público fica com a PM, fardada. É a porta de entrada para as investigações — comenta o governador.

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Witzel ressalta durante a fala que tem promovido mudanças na estrutura da Polícia para garantir a independência das ações.

— Temos visto bons resultados na prisão de milicianos, e, recentemente, uma das maiores apreensões de drogas do nosso estado — comemorou.

No vídeo, Witzel está ao lado do deputado estadual Delegado Carlos Augusto (PSD), o presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rafael Barcia e o presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sindpol), Marcio Garcia. O encontro foi feito para esclarecer a polêmica fala de que o governador pretendia “fechar as delegacias” e tratar de outros assuntos.

— O SINDPOL-RJ é favorável à proposta desde que a PM tenha acesso somente a lavratura dos Termos Circunstanciados da Lei 9099 (crimes de menor potencial ofensivo) que não exigem investigação. As investigações dos crimes mais complexos devem ser exclusivos da Polícia Civil – afirma Márcio Garcia.

Witzel aproveitou o encontro para prometer que enviará no mês de agosto uma Lei Orgânica da Policia Civil para a Assembleia Legislativa.

— Tenho o compromisso de enviar o melhor plano de carreira. A lei orgânica da Polícia Civil – promete Witzel.

Delegacias de portas fechadas

Durante o XVII Encontro Nacional de Entidades de Oficiais Militares Estaduais, realizado em São Paulo no fim de julho, o governador defendeu a “quebra de alguns paradigmas”.

— A delegacia no meu ponto de vista, tinha que fechar as portas — disse, seguido de aplausos da plateia.

Em seguida, o ex-juiz afirma haver resistência, no estado do Rio, à lavratura de roubos de carro, emendando: “vou descobrir ainda” o motivo.

Projeto piloto

O governador defendeu que policiais militares possam lavrar, na rua, as ocorrências. Já há inclusive um programa piloto para isso. O Sistema de Ocorrência Virtual (SOVi) começou pelo 17º BPM (Ilha do Governador).

De acordo com a PM, o SOVi é uma ferramenta que integra as Polícias Militar e Civil com o objetivo de agilizar o registro de ocorrências. Por meio dele, o PM preenche a ocorrência em um tablete no local do fato, transmitindo o formulário para a delegacia, onde o delegado formalizará o registro.

Por ora, os militares têm feito apenas o registro de ocorrência. O termo circunstanciado, assunto das mudanças propostas por Witzel, continua restrito aos agentes da Polícia Civil.

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